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Como desenvolver sua "Inteligência Emocional"?



O que é “Inteligência Emocional”?

Dediquei dois anos da minha vida buscando esta resposta, estudando as mais diversas teorias que influenciam diretamente a IE (Inteligência Emocional), entendendo de onde a teoria veio, como foi formulada, quais impactos ela gerou e como os principais pensadores do século XXI estão enxergando a teoria no contexto atual.

Em 1985, logo após concluir seu doutorado em HARVARD, Daniel Goleman que trabalhou com Howard Gardner no período que era elaborada a teoria das Múltiplas Inteligências, percebeu que duas das 7 inteligências (intrapessoal e interpessoal) que a teoria defendia, poderia ser resumida como inteligência emocional e em 1995, dez anos depois, lançou seu best-seller “Inteligência Emocional” que falava do QE (quociente emocional), que alcançou a impressionante marca de 5 milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro.

Busquei entender de onde Daniel Goleman tirou este conceito, ou seja, qual a raiz da teoria. Oscar Motomura da Amana-key, costuma dizer que precisamos ir na raiz da raiz das questões, se realmente quisermos entender a essência dos problemas.

Problemas “Sistêmicos” exigem soluções “Sistêmicas”.

O emocional de uma pessoa é um problema sistêmico e por isso não existe uma fórmula secreta de equilibrar o emocional de uma pessoa, temos que pensar de forma sistêmica quando o assunto é “emocional”.

Voltando ao tema, “Inteligência Emocional”, preciso explicar como trabalhei o conceito nestes últimos dois anos para que fique mais fácil sua compreensão.

Inicialmente separei o nome, ou seja, busquei entender o que é “inteligência” e o que é o “emocional”.

Busquei entender o que a ciência, neurociência, psicologia e a pedagogia estão pensando a respeito do tema neste começo de século.

O conceito mais respeitado de “inteligência” foi elaborado em HARVARD por Howard Gardner, chefe da cadeira de psicologia cognitiva daquela Universidade, a teoria das “Múltiplas Inteligências”.

Como a teoria definiu inteligência?


Um potencial biopsicológico (CÉREBRO x MENTE) de processar informações de determinadas maneiras para resolver problemas ou criar produtos que sejam valorizados por, pelos menos, uma cultura ou comunidade.

Principal conceito da teoria das MI: “Todo ser humano nasce com todas as 9 inteligências":

Inteligência Intrapessoal;

Inteligência Interpessoal;

Inteligência Lógico-Matemática;

Inteligência Linguística;

Inteligência Musical;

Inteligência Cinestésica-Corporal;

Inteligência Espacial-Visual;

Inteligência Naturalista;

Inteligência Existencial.

A primeira parte encontrei pronta, mas a segunda, “emocional”, por si só é um universo a ser explorado.

O conceito que desenvolvi de “Inteligência Emocional” é o pleno desenvolvimento das inteligências intrapessoal, interpessoal e existencial, trabalhadas em 4 focos: Foco Intrapessoal, Foco Interpessoal, Foco Sistêmico e Foco Criativo.

Foco Intrapessoal


Desenvolver a “Inteligência Emocional” significa buscar equilíbrio, viver uma vida plena, ou seja, com “plenitude de vida”, viver de acordo com o que mais valoriza.

Mas o que é “Plenitude de Vida”?

Plenitude de vida é a fotografia de uma pessoa vivendo de acordo com o que mais valoriza, em equilíbrio proveniente de uma vibração ressonante (equilibrada), onde os “Valores”, “Princípios” e “Propósitos” estão em plena harmonia sobre uma base “Ética” de vida.

Os valores não são relacionados à moral, não existe certo ou errado, são pessoais e intangíveis.

São intangíveis mas não são invisíveis, quando entramos em uma sala podemos perceber pequenos sinais dos valores de cada pessoa, por exemplo pela forma de vestir podemos perceber que vaidade é um valor, pela forma de se relacionar podemos perceber que amizade ou humor é um valor.

Valores expressam o que você valora e não podem ser tangibilizados e nem julgados como certos ou errados, os valores só dizem respeito a você.

O importante não são os valores em si, mas a sua capacidade de viver integralmente cada um de seus valores. Harmonia, respeito, confiança, família, amizade, amor, relacionamento, paz de espírito, honestidade e saúde são exemplos que mais são encontrados na matriz de valores que criei como parte da metodologia de desenvolvimento da inteligência emocional.

Já os princípios são o que norteiam o nosso convívio social, estão relacionados à moral, ao certo e errado, por exemplo: não corromper respeita o valor honestidade, conviver em harmonia com diferenças respeita o valor respeito, priorizar o bem comum respeita o valor ética e não mentir é um princípio que respeita o valor confiança.

As pessoas devem ter em mãos sua matriz de valores, usando-a como ferramenta de tomada de decisão, sempre perguntando como cada uma das decisões respeita ou impacta seus 10 principais valores.

A matriz de valores busca perceber suas dissonâncias (quando há desequilíbrio) e descobrir que princípios estão sendo violados e consequentemente que valores estão sendo feridos, só assim você transforma suas dissonâncias em ressonâncias.

Para fechar o conceito de “Plenitude de Vida” você precisa, ainda, equilibrar dois conceitos com seus valores e princípios, como, o seu propósito de vida e a base ética de sua vida, que dará sustentação a sua “plenitude”.

O que é “propósito”?


Propósito é o que dá sentido a sua vida, é o que responde qual o sentido de estar aqui, agora, fazendo diferença ao mundo.

Qual é o seu propósito?

Em 12 meses fiz esta pergunta a 212 pessoas e apenas duas me responderam, uma corretamente e outra confundiu propósito com meta.

Propósito é algo que se vive todos os segundos de sua vida, é a quilha do seu barco e por isso não dizemos cumpri o meu propósito e sim estou vivendo em conformidade com meu propósito.

A pessoa que me respondeu corretamente me disse que o seu propósito era nunca faltar com a verdade, veja, isso é um propósito de fato, pode ser vivido todos os segundos da vida dela, dá sentido a sua vida e traz valor a sua vida.

Pude perceber, neste caso, que honestidade, sinceridade, confiança são valores para esta pessoa, mesmo que não tenha me dito isso, e que, não mentir, não manipular, não corromper são princípios que norteiam a vida dela.

Percebe que os valores são intangíveis, mas não são invisíveis?

Não posso medir honestidade, sinceridade e confiança, mas eles ficam claro na definição de propósito dela, não são invisíveis.

A segunda pessoa, que respondeu de forma errônea, me disse que seu propósito de vida é criar os filhos. Isto é uma meta, pois não faz nenhum sentido após criar seus filhos não ter mais um propósito de vida.

A utopia na definição de um propósito é sadia, ela desafia a pessoa a cada minuto. A questão é que as pessoas temem a utopia, tem dificuldades de assumir compromisso com questões complexas e acabam levando uma vida sem propósito.

Se você não respondeu a pergunta acima: “Qual é o seu propósito de vida?”, fica aqui uma sugestão que acredito ser um propósito universal que se adotado por todos nos levará a um mundo melhor: “Seja hoje melhor do que foi ontem” – Oscar Motomura.

Recentemente estava apresentando o propósito da comunidade budista japonesa Soka Gakkai, “Paz Mundial” a uma pessoa e ouvi o seguinte comentário: “isso é utopia pura, ninguém vai viver para ver a paz mundial”.

De fato como meta pode parecer sem sentido, mas como propósito mostra a grandeza desta associação budista, você pode viver pela paz mundial em cada minuto da sua vida. Este exemplo deixa claro a diferença entre propósito e meta.

Fechamos os conceitos estruturais de “Plenitude de Vida”: valores, princípios e propósito, falta definir a base: ética.

Mas o que é ética?

A melhor definição que encontrei foi: “Ética é a escolha pelo bem comum”.

Se você, nas simples atitudes do seu dia a dia, direcionar suas escolhas pelo bem comum, estará agindo com ética.

Na metodologia MIDE (Múltiplas Inteligências Desenvolvimento & Educação) trabalhamos o conceito de “plenitude de vida” seguindo as definições acima.

Isso é tudo para desenvolver o “Foco Intrapessoal” da inteligência emocional?


A resposta é “não”!

Valores, princípios, propósitos e ética são conceitos estruturantes, mas o emocional processa 100% em sua mente e, sem entendê-la, dificilmente vai desenvolver seu emocional.

Mente e cérebro não são sinônimos, o último é um órgão e mente é um construto hipotético que inclui conhecimento cultural, interação com outras pessoas, regras sociais etc.

Ao usar o termo biopsicológico para descrever a inteligência, Gardner se posicionou entre a biologia e a psicologia.

Mente é existencial, infinita, é nela que o consciente se conecta ao subconsciente, a mente é seu elo com o universo.

Einstein disse: “Uma mente que se expande, nunca voltará ao seu tamanho original”.

Até onde a mente pode se expandir? A resposta é infinitamente.

Venho estudando como podemos trabalhar nossa mente e transformá-la em uma aliada poderosíssima e tentando entender a seguinte pergunta: “Se nossa mente é tão poderosa e conectada a nossa essência, porque ainda erramos tanto?”

A mente humana, em média, processa 69.000 pensamentos por dia e se fizéssemos isso de forma consciente estaríamos todos loucos. Para viabilizar essa rotina sem nos enlouquecer nosso cérebro automatizou praticamente tudo que fazemos, ou seja, criou hábitos.

Um hábito pode ser definido como a forma que você percebe um fato, age sobre ele (rotina) na busca de uma recompensa.

Você só consegue mudar rotinas da sua mente trabalhando seus hábitos, esta é a nova parte do nosso workshop.

Quem impacta esse processo?

Os modelos mentais que te levam culpa e medo, juntamente com seu “sabotador”, com certeza são os maiores inimigos de sua mente.

Você precisa entender o que são estes conceitos, assim como, criar uma disciplina de percebê-los e mudá-los quando necessário.

Os modelos mentais são moldes que sua mente formou ao longo de sua vida, ou seja, sua mente foi modelada a pensar de forma automática seguindo padrões cognitivos que você vem absorvendo desde que nasceu.

Vou dar o exemplo do modelo mental mais nocivo de nossa sociedade, o “sucesso”.

Desde pequeno vamos percebendo pela mídia, pelos comentários dos pais, amigos e escola que fulano é uma pessoa de sucesso.

Automaticamente sua mente faz uma leitura da pessoa, rico, carro do ano, tem poder, sempre bem acompanhado, possui muitos bens, etc.

Chega a um ponto que ninguém mais precisa explicar o que é sucesso, sua mente vai processar automaticamente dentro dos moldes (de modelo) que foram impostos.

O problema é o que o seu subconsciente percebeu, a ciência acredita que ele percebe 100 vezes mais que seu consciente.

Imagine que as pessoas usadas como exemplo possuem tudo o que citei acima, mas ganham de forma desonesta, e mesmo que ninguém tenha dito isso você processa em seu subconsciente e acaba que sucesso fica nos moldes do “ter” algo a qualquer preço em sua mente.

Não me lembro de quando criança ouvir que meus professores eram pessoas de sucesso, pelo contrário, quanto mais crescia ouvia dizer que quem não é empreendedor ou não quer nada com a dureza acabaria sendo professor.

Talvez isto explique um pouco a diferença de uma sociedade como a nossa e a de vários países desenvolvidos, onde um professor é visto como uma das pessoas de maiores sucesso da sociedade, assim como os cientistas.

Para complicar vem o seu “Sabotador”, aquela voz disfarçada de instinto de proteção tentando te manter na zona de conforto e despertando sua homeostase (tendência de manter as coisas como estão).

Entender como tudo isso atua em sua mente é fundamental, entender por exemplo a diferença entre suas percepções sensoriais e intuitivas, aprender a ouvir sua intuição, tudo isso faz parte do desenvolvimento do “Foco Intrapessoal” da inteligência emocional.

Foco Interpessoal


A inteligência emocional refere-se a sua capacidade de se conhecer, perceber emoções e sentimentos, sua capacidade de dominá-los (Foco intrapessoal) e inclui também sua capacidade se relacionar com harmonia com as mais diferentes pessoas (Foco Interpessoal).

A empatia é um dos aspectos mais destacados da inteligência emocional e é um dos diversos conceitos deturpados da teoria de Goleman.

A maioria define empatia como a capacidade de se colocar no lugar do outro, mas o correto é que empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro com os modelos mentais do outro e não os seus, do contrário, você irá enxergar a cena da sua maneira, mesmo que do ponto de vista do outro.

Acontece que esta é uma pauta superada e bem exaurida nesses 21 anos da teoria, o que busquei entender é como Goleman e outros autores de renome estão vendo este processo na realidade atual pois quando a teoria nasceu a internet estava engatinhando.

Os cientistas ainda não chegaram a um consenso, mas já perceberam que as pessoas estão diminuindo sua capacidade empática e social, aumentando o que chamam de "dislexia social", a incapacidade das pessoas de perceberem sinais de convívio social.

Como disse, trabalho com a inteligência emocional no conceito das "Múltiplas Inteligências", onde a inteligência que expressa o "Foco Interpessoal" é a inteligência interpessoal, que tem a seguinte definição:

Habilidade das pessoas de perceberem humores, sentimentos e emoções.

Esta inteligência envolve a comunicação pessoa-pessoa, envolve a capacidade de conviver com diferenças.

Capacidade de perceber sinais, expressões corporais, faciais e tom de voz.

Habilidade de comunicar com sensibilidade e eficácia.

FOCO SISTÊMICO


É aqui que surge um ponto totalmente novo no conceito da inteligência emocional, que chamo de "Foco Sistêmico" e a inteligência que melhor representa este foco é a inteligência existencial.

Pessoas com uma inteligência existencial tem uma forte visão de integração entre todas formas de vida e o universo, costumam refletir sobre questões existenciais da humanidade, se preocupam com com o ecossistema como um todo, conhecem, interpretam muito bem a lei máxima do universo: "Lei da Causa e Efeito".

Entender que qualquer coisa que esteja vivendo neste momento é efeito de causas do passado, de escolhas que fez, e, portanto é você o responsável pelo seu estado de vida.

A Visão Sistêmica da Vida mostra que sua vida é como uma teia e que todas suas ações refletem em um efeito gota, ou seja, você sem entender o conceito consegue no máximo ver a gota, mas não enxerga a onda que ela gerou e a reverberação de seus atos, chamamos isso de "Efeito Gota".

Você impacta emocionalmente tudo em sua volta e o mesmo acontece com os outros em relação a você. Por exemplo, entender o que o consumo impacta no planeta e como isso volta a você faz parte da visão sistêmica da vida.

Dificilmente você atingirá um equilíbrio emocional verdadeiro sem repensar seu papel maior, na sua família, no seu trabalho, na sua comunidade, no seu país e no planeta.

Qual é o seu papel? O que está fazendo diferença com sua vida?

CONCEITOS DETURPADOS SOBRE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL


Nesses dois anos que passei estudando a inteligência emocional, encontrei muitos artigos de pessoas de renome com conceitos totalmente deturpados sobre “inteligência emocional”.

Goleman popularizou a tese de que talento para se comunicar, relacionar e se conhecer poderia mudar o conceito de liderança, ou seja, ele mostrou que só um QI (quociente de Inteligência) não era o bastante para ser um bom profissional.

As maiores empresas do mundo partiram para investir maciçamente na implantação da teoria nas equipes.

Porém na pressa e no afã de surfar a onda, muitos profissionais que tentaram explicar e dar consultoria no assunto deturparam os principais conceitos, dentre eles, que para ser um profissional de sucesso é mais importante o QE do que o QI, sendo que o primeiro respondia por 80% do sucesso e o último por 20%.

De fato a ciência explica que o QI representa de 10% a 20% do fator sucesso, mas Goleman nunca disse que o QE representava os outros 90% a 80%.

Isso significa, segundo Goleman, que os outros 80% são influenciados por diversos fatores, como formação acadêmica, conhecimento empírico, estrutura familiar e, até mesmo sorte. Claro que a “Inteligência Emocional” faz parte do bolo.

Com isso, muitas empresas relaxaram com o desenvolvimento acadêmico de seus funcionários, acreditando que desenvolver o QE por si só resolveria tudo.

Talvez o fator que explique o enorme sucesso da teoria foi mostrar ao mundo que a inteligência emocional é uma habilidade que pode ser aprimorada.

Quando trouxemos a teoria das Múltiplas Inteligências de Howard Gardner tudo ficou muito mais claro, pois Harvard provou que QI não mede inteligência, e que se quer, foi criado com esta finalidade.

Os testes de QI apontam pessoas com uma inteligência lógico-matemática, ou com o dom para explorar o mundo da lógica e dos números, mas, definitivamente não mede sua inteligência.

Em suma, nossa metodologia buscou organizar de forma lógica e estruturada o conceito de “inteligência emocional”, o que apresentamos em nossos workshops e atendimentos individuais.


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