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O desafio de criar o "Inédito"



Busque o desafio de criar o “Inédito”!

Meus estudos, ao longo de dois anos sabáticos, dedicados ao desenvolvimento do MIDE-Múltiplas Inteligências & Desenvolvimento Emocional ,fruto de muita reflexão e estudos. Num lampejo de inspiração, surgiu-me uma ideia que se apoderou de minhas convicções mais importantes e até hoje ilumina meus pensamentos: o INÉDITO.

Por que pessoas comuns, na maioria oriundas de famílias pobres, alunos de escolas públicas em seus países, encontraram sua vocação?

Acreditando no intangível seguiram, obstinadamente, sua visão criando fatos inéditos e incríveis que contribuíram para mudar os rumos da humanidade.

Inicialmente, pensei que essas pessoas eram diamantes rosas, raríssimos. Uma exceção absoluta na humanidade.

O empuxo que tive para a criação do MIDE foi motivado pela percepção dessas milhares de pessoas criando o inédito no seu dia a dia. A maioria sem almejar as glórias da fama. Esta rede silenciosa, por um ideal maior, vem mudando os rumos da humanidade. São pessoas comuns realizando mais do que se esperam delas; movidos por uma crença verdadeira graças à força existencial.

Poderia citar inúmeros casos neste artigo, mas não é esse meu intuito. Quero deixar a todos uma pergunta: “Por que você não cria o inédito?”

Inicialmente, era comum admitir que o inédito estava reservado aos alunos de Harvard, IESE, Stanford, Yale, aos alunos oriundos de famílias ricas e que dedicavam suas vidas a pesquisas e estudos.

Com o tempo e inúmeros encontros com pessoas brilhantes, anônimas e com histórias impressionantes, percebi que na verdade havia uma miopia grande em minha visão. As características que pressupunha não eram as verdadeiras. As pessoas, de fato, tinham características comuns, mas não a mesma educação e/ou formação acadêmica.

Foi neste momento que minha intuição sussurrou me a possibilidade de criar o INÉDITO. Mostraria que era possível e assim inspiraria milhares de pessoas para este caminho.

Como disse anteriormente, poderia citar milhares de exemplos, porém vou me ater a quatro ou cinco exemplos que serviram como verdadeira inspiração para meu trabalho.


Você já ouviu falar no Dee Hock?

Acredito que não e foi o mesmo comigo.

Ele era menino muito pobre criado em uma cidade do interior dos Estados Unidos.

Praticamente uma vila rural e num lar onde o que se ganhava era para alimentação e vestuário. No entanto, desde sua infância era uma criança obstinada pela leitura, no que pese sua família nunca ter lhe proporcionado um livro sequer. No entanto, fôra um garoto que, cedo, percebera algo de errado na escola, na igreja que frequentava e na forma que a sociedade se organizava.

A história de Dee Hock pode ser conhecida em sua biografia: “O Nascimento da Era Caórdica”, que conta a sua história e da empresa que fundou. Atualmente, o maior empreendimento comercial do mundo: o cartão “VISA”.

Quando pesquisei sobre os maiores CEO’s do mundo ele não apareceu!

Em 2010 Bill Gates foi citado em 487 artigos e Dee Hock em 30, mesmo o VISA movimentando 4 vezes a soma da Microsoft.

Mas Dee Hock não ficará conhecido porque fundou o VISA e sim porque criou o INÉDITO, a teoria Caórdica, o arquétipo das grandes empresas que dominarão o século XXI.

A história de Dee Hock foi um marco, um “start “da primeira luz a iluminar minha percepção mostrando me que as pessoas que criam o inédito tem características semelhantes: determinação; disciplina; síntese; positivismo e conhecem o processo criativo, ou seja, sabem como buscar e transformar o conhecimento.


Em seguida conheci a história de Michael Abrashoff, um americano que, assim como eu, se inspirou na história de Dee Hock e resolveu apelar ao inédito com base no pensamento Caórdico proposto na criação do VISA.

Naquele momento percebi que o inédito não segue a lógica, não segue o pensamento cartesiano das academias e por isso é revelado a poucos, o que Abrashoff fez era impensável.

O inédito vem da intuição, não existe outro caminho, essa foi a minha percepção, pessoas com alto autodomínio e uma inteligência lógico-emocional elevada.

A teoria Caórdica propõe a quebra da hierarquia nas empresas, o “caos” está na criatividade e “ordem” nos princípios e Abrashoft decidiu implantá-la em um navio da fragata do pacífico da marinha americana, a maior máquina de guerra do planeta, que tem em sua estrutura mais consolidada no comando e controle.

Como uma pessoa comum como Abrashoff fizera uma coisa assim?

Quebrar todas as regras da estrutura mais rígida das organizações, a militar, e entra para história sem o devido reconhecimento, sem condecoração. Praticamente um desconhecido, um anônimo.

Foi este o meu despertar para a reflexão; questionamento e análise, das, até então, minhas verdades.

Para conhecer essa história sugiro a leitura do livro do próprio Abrashoff: “Este Barco Também é seu”.

Agora, sigo meu caminho com um propósito muito forte, criar o inédito, não buscar receitas prontas fórmulas milagrosas, teorias midiáticas ou qualquer coisa do gênero. Estudo e análise criteriosa e constância na busca dos saberes nas diversas fontes fidedigna adubando meu emocional a fim de ser guiado pela minha intuição.


Dee Hock diz que “na estrada da vida esbarramos em pedras de rubis que nos tiram da estrada” e foi em junho de 2014, em uma visita a Suécia, que isto me aconteceu.

Estava na busca de boas experiências sobre desenvolvimento humano no mundo, quando li em um e-book gratuito chamado “Volta ao Mundo em 13 escolas” que, na Suécia, existia uma escola trabalhando o desenvolvimento humano num curso de 40 semanas para jovens de 18 a 28 anos.

Durante um dia estudei o website da escola e decidi que iria lá conhecer o trabalho deles. Foi o único local, que encontrei, que propunha um currículo tão extenso daquele tema.

Foi uma viagem cheio de surpresas. Chegando em Estocolmo, tomei um trem no sentido ao interior. Viajei até ao final da linha. De lá, aluguei um táxi até uma pequena cidade. Tão pequena e gelada, que me fez lembrar uma vila do Papai Noel. O taxi deixou me em uma fazenda nas proximidades.

Tudo me parecia muito estranho. Por um momento, temi que minha viagem seria uma simples aventura.

A vila rural tinha uma estrutura composta de: uma escola e um hotel onde me hospedaria.

Ao fazer o check-in descobri que estava em uma vila Antroposófica, que naquele momento não me dizia nada, pois não fazia a menor ideia do que se tratava.

Foi assim que descobri Rudolf Steiner, pai da Antroposofia, autor da pedagogia Waldorf, da medicina Antroposófica, da agronomia biodinâmica, autor de 247 livros. Filósofo austríaco com uma vida muito simples, pouco conhecida do grande público. Como Dee Hock, deixou um legado a humanidade.

Nesta viagem esbarrei em outra pedra de rubi, talvez a maior de todas. Conheci o trabalho de Howard Gardner, chefe da cadeira de psicologia cognitiva de Harvard e autor da teoria das Múltiplas Inteligências.

Nesta altura das minhas pesquisas, essas quatro histórias iluminavam o meu caminho do INÉDITO, Dee Hock, Abrashoft, Steiner e Gardner.


Dra. Jie-Qi Chen e o autor.

De volta ao Brasil estudei detalhadamente toda a tese de Gardner. Ao final dos estudos decidi procura-lo para discutir algumas de minhas ideias. E alguns questionamento.

Dr. Gardner, não imaginava, seria outra pedra de rubi na minha estrada, depois de uma audiência; encaminhou me para Dra. Jie-Qi-Chen, Vice-Presidente do Erikson Institute, com sede em Chicago. Conhece-la e entender seu trabalho, foram definidores na determinação dos rumos dos meus estudos.

Em Chicago, percebi que acabara de conhecer pessoas, desconhecidas do grande público, criando o inédito sem buscar a fama; sem ganância; sem vaidade; sem ego inflado. Notava-se, nessas personalidades, características idênticas: determinação + disciplina + positivismo + criatividade .

Uma chinesa que colocou a teoria das Múltiplas Inteligências embaixo do braço e seguiu para a China com o intuito de fazer uma revolução no sistema educacional do seu país.

Após 11 anos silenciosamente trabalhando sozinha, plantando semente a semente em seu caminho, foi notada pelo governo chinês, o qual decidiu montar um comitê para estudar as Múltiplas Inteligências. Quatro (4) anos depois surgiram os primeiros frutos: a China adota como política educacional a teoria M.I. que passa a ser base curricular da China. Essa teoria, ato contínuo, migrou para Coréia do Sul, Singapura, Japão, Miamar, Irlanda, Dinamarca, Noruega, Suécia, Romênia e Austrália.

Talvez, se não estivesse tão atento ao inestimável valor do INÉDITO, não teria percebido a grandeza daquela mulher simples que me recebeu de forma educada e singela em sua sala no centro de Chicago.

Sua simplicidade e disponibilidade, ofuscou- me impedindo- me, de imediato, avaliar a grandeza de seu trabalho que deixará um legado a humanidade. Ela criou o inédito.

Olhando para Dra. Jie-QI Chen, questionei-me: como ela conseguiu isso?

Estou certo de que não foi o currículo acadêmico, mas sim as tais características que vinha percebendo nas pessoas como ela.

Analisando a prevalência de um “mercado” mecanicista no ensino e formação de jovens e crianças trabalhando, silenciosamente, para abafar os alunos. Um sistema educacional voltado, apenas, para o conteúdo criando ilusão e ansiedade nas pessoas. Valorizando a quantidade de cursos no currículo---- em detrimento da natureza e necessidades do educando ---- como se ali estivesse a diferença.

Posso dizer que aqui o INÉDITO brotou no MIDE. Era preciso mudar, completamente, a minha forma de pensar. Não há como dominar o emocional sem entender a cultura oriental e o pensamento sistêmico. era preciso mudar o rumo dos acontecimentos em minha vida.

Talvez a Dra. Jie-Qi Chen não saiba, mas foi a maior pedra de rubi da minha jornada, como aquela senhora me inspirou e me fez acreditar que era possível.

Nas palestras que faço pelo Brasil, as vezes, encontro pessoas que, alegando dificuldades para entender a teoria das Múltiplas Inteligências, questionam sua aplicabilidade não obstante os trinta e dois (32) anos de história de absoluto sucesso por onde foi implantada. Vaticinam clichês do tipo: “É impossível aplicar uma teoria como esta no Brasil!”

Não costumo rebater esse tipo de comentário, acredito que depois de contar que uma mulher sozinha começa um movimento em um país 10 vezes a população de nosso país e consegue implantar a teoria em escolas com média de 63 alunos por turma, o que ainda posso dizer?


Ainda em Chicago conheci a história do professor da Universidade de Chicago, Mihaly Csikszentmihalyi, húngaro, pobre.

Para comer, fora trabalhar em uma estação de esqui. Após a segunda guerra mundial, assistindo a uma palestra sobre OVNI ministrada por Jung.

Neste momento, despertou para sua vocação se propondo a responder as seguintes perguntas:

“Por que é tão difícil ser feliz?” e “Qual é o significado da vida?”

Em 40 anos de estudos e pesquisas ele trouxe ao mundo a teoria do “FLUXO”. Mais um exemplo de pessoa comum, pouco conhecida, a deixar um legado a humanidade.

A teoria do fluxo foi amplamente pensada na elaboração do MIDE, no contexto do desenvolvimento humano, da criatividade e na vocação para o inédito.

Quero encerrar os exemplos que me inspiraram falando de Ray C. Anderson, uma pessoa que provavelmente você nunca tenha ouvido falar, um homem que teve a coragem de reinventar a si e seu negócio, mesmo sendo líder mundial absoluto em seu segmento, simplesmente por ter tomado conhecimento que seu produto era um dos maiores poluidores do meio ambiente do mundo e de Márcio Fernandes, atual presidente da Elektro, que pensando de forma Caórdica revolucionou uma empresa com uma cultura estatal.

A história desses dois homens que criaram o “inédito” podem ser lidas em seus livros: “Lições de um Empresário radical” – Ray Anderson e “Felicidade dá lucro” – Márcio Fernandes.

Hoje dedico minha vida ao MIDE. Citarei exemplos que percebi na minha jornada. São exemplos de pessoas que poderiam criar o inédito, mas que pela incapacidade de abandonar o pensar cartesiano, permanecem presas a velhos conceitos concebidos sobre pilares de velhos modelos mentais.

A oportunidade de criar o inédito está no dia a dia, no expertise de cada um. Até mesmo em, casa na relação com os filhos ou nas demandas do trabalho.

Nossas gerações foram educadas num sistema educacional criado no período da revolução industrial. Época em que comando, controle, pensamento cartesiano, conteúdo, salas de aulas nos layout de 200 anos atrás. Professores aplicam a mesma metodologia há pelo menos 120 anos. Não é difícil enxergar porque estamos vivendo colapsos sistêmicos em todas as áreas de nossas vidas.

Encontro pessoas brilhantes, cheias de títulos, conhecimentos acadêmicos, vivendo uma grande angustia. Por que?

Em minha opinião querem se realizar em cima de receitas prontas, aplicando literalmente o que lhes são propostos por esses receituários, hoje, muito comum nas redes sociais. Não sabem pensar, muito menos elaborar um metapensamento ou trabalhar a metacognição. Estão prontas para criar o inédito, mas por medo e falta de domínio de sua inteligência lógico-emocional ficam estagnadas, congeladas a mercê das angustias.

E você? O que está esperando para criar o inédito?


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