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A Mente, O Cérebro e a Consciência



“Todas as graças da mente e do coração se escapam quando o propósito não é firme.” - William Shakespear

É comum ouvirmos pessoas se referindo ao cérebro quando na verdade gostariam de se referirem a mente e vice-versa.

Confusão natural uma vez que graficamente ou por imagem é usual usarmos a imagem de um cérebro quando falamos de mente.

Para explicar o universo do corpo e da mente, precisamos falar de consciência.

A teoria da ILE – Inteligência Lógica-Emocional tem suas raízes nas filosofias orientais e teorias das ciência cognitiva e administração, nascidas no ocidente.

Quando referimos a mente e consciência recorremos aos grandes filósofos do oriente que trabalham o conceito a milênios.

O conceito que adotado na ILE e consequentemente no método MIDE nos remete ao complexo sistema filosófico apresentado pelo Grande Mestre Tient’ai (538–597), da China, um dos mais importantes filósofos da milenar história chinesa.

Os pensamentos de Tient’ai (538–597), da China, foram desenvolvidos em cima de conceitos de outro grande filósofo oriental, Nagarjuna (250-300), da Índia.

Tient’ai afirmava que todas as manifestações do corpo e da mente são de uma única fonte, ele chamou essa fonte de Caminho do Meio.

Caminho do Meio é um conceito oriental que implica em uma abordagem equilibrada da vida e no controle dos impulsos e do comportamento das pessoas.

Embora a palavra “meio” denote moderação, o termo Caminho do Meio não deve ser interpretado como uma atitude passiva, comodista e relapsa.

Em um sentido mais amplo, Caminho do Meio refere-se à visão correta da vida pregada pela maioria das filosofias orientais, e às ações ou atitudes que geram felicidade para si próprio e para os outros.


“Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.” - Sakyamuni

Tient’ai revela dois aspectos do homem: um físico – cérebro- que representa o corpo e o outro, não-substancial – Mente – que representa a manifestação existencial ou espiritual.

A visão correta da vida envolve o reconhecimento dos dois universos, mente e corpo.

Não podemos conceituar um ser humano sem seu aspecto físico e espiritual / mental.

Tient’ai esclareceu portanto a inter-relação indivisível entre ambos os aspectos.

É importante entender que é a nossa MENTE quem controla nosso cérebro, não o contrário como a maioria acredita.

Outro grande filósofo oriental a falar da mente foi o Buda Nitiren ( 1222 – 1302), Japão e em suas obras ele explica que todas as funções e manifestações da vida partem da mente.

Nitiren descreve a natureza insondável da mente humana: “Quando observamos nossa própria mente em qualquer momento, não percebemos cor nem forma para

comprovar sua existência.

No entanto, não podemos dizer que ela não existe pelo fato de incessantes pensamentos nos ocorrer.

A mente não pode ser considerada como algo existente nem inexistente.

A vida é, de fato, uma realidade que transcende tanto as palavras como os conceitos de existência e inexistência.

Ela não é existência nem inexistência, no entanto mostra características de ambas”.

Nitiren refere-se, muitas vezes, à mente como sinônimo de “coração”, considerando que os sentimentos se processam na mente.

“O coração é o que importa”, diz Nitiren.

Portanto, tudo na vida do indivíduo depende do tipo de pensamento ou

sentimento que abriga em sua mente.

Essa influência se aplica não só à própria vida, mas também ao ambiente em que ele vive.

Sobre esse aspecto, Nitiren afirma: “Se a mente das pessoas é impura, sua terra

será igualmente impura.

Mas se sua mente é pura, assim será sua terra.

Portanto, não há duas terras, pura e impura ao mesmo tempo.

A diferença reside unicamente na mente boa ou má das pessoas”.

Em sua obra Nitiren afirma os conceitos de unicidade ou inseparabilidade do corpo e da mente (shiki shin funi, em japonês) e de unicidade ou inseparabilidade do ser e seu ambiente (esho funi).

Tudo o que existe no Universo é, portanto, uma combinação perfeita e plena dos aspectos físico e espiritual.


“Nenhum médico é capaz de curar a cegueira da mente.” - Textos Judaicos

A mente opera em nossa 7a. consciência – MANO, que em sânscrito significa “Poder do Pensamento” e é responsável pelos nossos pensamentos, não o cérebro.

O cérebro é um órgão do corpo humano onde a MENTE registra as memórias de fatos, pessoas, objetos e pensamentos.

Com o intuito de ilustrar facilitando o entendimento, imagine um super computador.

O cérebro é o hardware, o processador, placas, HD, etc., as consciências as informações que alimentam o software,e a mente o software que comanda a vida.

Todos os registros que o cérebro faz é fixado por uma emoção. Todos pensamentos estão envoltos de sentimentos.

O cérebro grava tudo na 8a consciência – ALAYA, que em sânscrito significa memória, de forma inconsciente, percepções involuntárias captadas pelas seis primeiras consciências e de forma consciente em forma de pensamentos, hábitos e Modelos Mentais criados pela MENTE.

A relação da mente e o cérebro acontece em ciclos de feedback que se retro alimentam.

Quando pensamos, o cérebro envia registros gravados a mente que pensa, analisa, compara e devolve ao cérebro.

Esses ciclos de feedbacks entre cérebro e mente ocorrem em 4 esferas, criando as 4 dimensões da MENTE: Emocional – Racional – Instintiva – Intuitiva.

O cérebro trabalha com a função primordial de sobrevivência e para isso vai economizar toda energia que puder.

No intuito de economizar energia o cérebro automatiza todos os pensamentos possíveis, entende que pensar duas vezes sobre um mesmo fato não faz sentido.

Nessa busca desenfreada por economizar energia o cérebro não só busca um registro igual ou próximo do que estamos vivenciando, como faz milhões de conexões com outros registros que possam dar suporte a mensagem que envia a mente.

A “Volição – Vontade” e o livre arbitro estão na mente, ela analisa o que o cérebro enviou e decide o que fazer.

O cérebro não tem vontade, intenção ou livre-arbítrio, isso são características da sua mente.

As consciências são os diferentes níveis de atuação que mente e cérebro se relacionam. Ao desenvolver a teoria da ILE e o método MIDE adotei o conceito oriental das 9 consciências.


“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.” - Mahatma Gandhi

AS 9 CONSCIÊNCIAS

AS 5 PRIMEIRAS CONSCIÊNCIAS

Os cinco primeiros tipos de consciência têm alguma relação com os fenômenos físicos.

São as percepções sensoriais dos órgãos dos sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato.

Em geral, para ativar esses sentidos é preciso algum estímulo material.

Paradoxo: o que nos torna vivos e atuantes, ao mesmo tempo criam travas que impedem o crescimento como “ser”.

6ª. Consciência

A sexta consciência é o poder de um julgamento a partir da interação dos cinco sentidos ou cinco consciências.

Todos seres vivos dotados de sistema nervoso central, independentemente do grau de desenvolvimento desse sistema, possuem a sexta consciência.

7ª. Consciência ou Consciência Mano (Poder do Pensamento)

Onde a mente humana opera, julgando, rotulando e comparando tudo que recebe das seis primeiras consciências. É o que a ciência cognitiva chama de consciência.

Esta consciência é uma característica exclusiva dos seres humanos, que têm a capacidade de raciocínio e reflexão.

A mente opera na consciência Mano de forma descendente, quando estamos raciocinando, de forma lenta, voluntária e em um ciclo vicioso de buscar uma referência no passado e criar uma projeção ao futuro.

O paradoxo é que a mente na consciência Mano é mais presente no hoje, mas por hábito sempre nos coloca em uma dimensão ilusória, passado ou futuro.

A mente trabalha a deriva se torna um mal patrão, refém das memórias e ávida por controle vinculada a rótulos e aos 3 fatores motivacionais.

A mente na consciência Mano opera em três diferentes estágios: inconsciente, consciente ou autoconsciente.

Inconsciente é quando nossa mente opera no automático, sem formular pensamentos elaborados, em cima de hábitos e modelos mentais. Por exemplo quando pensamos: “Hoje estou angustiado”.

Praticamente a mente só percebeu o sentimento, não buscou uma razão para o sentimento.

Já de forma consciente há uma evolução no pensamento: “Hoje estou angustiado com medo de perder o emprego.” Pensamos na razão superficialmente sem ir na raiz da questão.

Quando a mente opera de forma ‘Autoconsciente’ ela busca não só a razão , mas tudo que está por trás do sentimento.

A mente autoconsciente é sistêmica e consegue ver o todo. Exemplo: “Hoje amanheci angustiado com receio de perde o emprego.

Esse sentimento não faz sentido, estou sofrendo por algo que não controlo. Preciso tomar uma atitude e não ficar esperando algo acontecer.

Vou traçar uma estratégia levando em conta diversos cenários e farei isso de forma serena, não vou deixar esses pensamentos tomarem conta e estragarem meu dia.”

Todos os pensamentos que a mente formula na consciência Mano são lastreados com informações gravadas em nossa oitava consciência, Alaya, que o cérebro envia.

A mente autoconsciente recebe essas informações e analisa antes de tomar uma decisão, nos tirando do piloto automático.

Neste estágio a mente entende que as informações podem não expressar a realidade atual e sim uma experiência do passado que precisa ser revista.

Dessa forma a mente passa a operar como um bom servo e não mais como um mal patrão.

8ª. Consciência ou Consciência Alaya (Repositório / Memória)

A consciência Alaya é o que Freud chamou de inconsciente.

Guarda as impressões conscientes geradas pela mente, percepções inconscientes recebidas pelas 6 primeiras consciências e, simultaneamente, produz novas ações mentais.

Cada registro que o cérebro faz em na consciência Alaya é fixado com uma emoção e sempre que a mente está operando na consciência Mano, raciocinando de forma descendente, o cérebro envia todas as informações que ele entende necessárias para aquele raciocínio.

Além das informações específicas para aquele pensamento, envia todas as conexões com outros registros que acredita que possa auxiliar nossa mente.

Esse movimento é involuntário, chamado de mente ascendente, refém da consciência Alaya.

Por padrão, em todas as ocasiões, a mente recorre a Alaya em busca de referências de prazeres, dores, alegrias, tristezas, etc., espelhando seu passado para seu futuro.

Em nosso processo evolutivo o cérebro adquiriu como principal função a sobrevivência e perpetuação de nossa espécie, assim ele busca informações e registros pensando no que é mais seguro e não o que nos fará mais feliz.

Outra função do cérebro é manter o corpo humano sempre em equilíbrio e essa função é chamada de homeostase.

A Alaya utiliza essa duas funções para nos manter em nossa ‘Zona de Acomodação’, operando nosso sabotador interno.

9ª. Consciência ou Consciência Amala (Imaculada)

Nesse nível profundo da consciência encontra-se a essência da vida.

Todos os seres humanos possuem a consciência Amala e com esse entendimento mudamos nossa maneira de enxergar a vida, o próximo e a nós mesmos.

É o elo do Microcosmo com o Macrocosmo, nela não existe ego, desejo, vaidade, raiva, ódio, maldade. Apenas a existência: energia pura que move a vida.

Grande Mestre Tient’ai (538–597), da China, percebeu existia um canal de sabedoria nata nos seres humanos e que as informações recebidas por esse canal eram perfeitas, sem nenhuma contaminação pelas outras consciências.

Hoje a ciência cognitiva chama essa comunicação de ‘intuição’ e as mensagens recebidas por ela de insights. Tient’ai entendeu que essa pureza e sabedoria tinham sua origem na essência da vida e direcionava as pessoas ao seu ‘Propósito’ de vida. O entendimento de como a mente se relaciona com as 9 consciências é a chave do processo criativo e do desenvolvimento da inteligência lógica-emocional.


“A água turva não mostra os peixes ou conchas em baixo; o mesmo faz a mente nublada.” - Textos Budistas

MENTE ASCENDENTE e MENTE DESCENDENTE

Para entender profundamente os indicadores da inteligência emocional e o conceito das 9 consciências do MIDE, é de, suma, importância entender as mentes ascendentes e descendentes.

Os grandes desafios no desenvolvimento da inteligência emocional está no fato dos principais indicadores agirem de forma inconsciente pela mente ascendente.

Os Modelos Mentais que estão na raiz de todos os indicadores da inteligência emocional podem ser chamados de hábitos do pensar e por serem hábitos operam na mente ascendente.

Tudo que seu cérebro transforma em um hábito, do mais simples ao mais complexo, opera na mente ascendente de forma inconsciente.

A única forma de mudar um hábito é trazê-lo para o nível consciente, na mente descendente.

MENTE ASCENDENTE

Processa seu inconsciente, 8ª. e 9ª. consciência, seus hábitos, Modelos Mentais e principalmente sua intuição. A intuição opera e se comunica pelos insights que geram e o processo acontece na mente ascendente.

Processamento ascendente:

  • Mais veloz em tempo cerebral, que opera em milissegundos;

  • Involuntária e automática, estando sempre ligada;

  • Intuitiva, operando por meio de redes de associações;

  • Executora de nossas rotinas habituais e guia de nossas ações;

  • Gestora de nossos modelos mentais do mundo.

MENTE DESCENDENTE

Processa seu consciente, operando da 1ª. a 7ª. consciência, principalmente esta última onde acontece o pensamento racional. É voluntária e lenta, depende de diversos fatores para elaborar um raciocínio.

A importância de entender como esta mente opera é fundamental para o desenvolvimento da inteligência emocional, pois é nela que os insights morrem, pois o sabotador / VDA atuam aqui.

Busca incansavelmente o controle, está sempre julgando, comparando e rotulando e quando está no controle é chamada de mal patrão. Refém dos cinco sentidos, acredita muito no tangível e não crê no intangível,

por isso bloqueia sua INTUIÇÃO.

  • Processamento descendente:

  • Mais lenta;

  • Voluntária;

  • Esforçada;

  • Tem sede pelo controle;

  • Capaz de aprender novos modelos, fazer novos planos e assumir o controle do nosso repertório automático.


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