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A IDENTIDADE EMOCIONAL



“A verdadeira coragem é ir atrás de seu sonho mesmo quando todos dizem que ele é impossível.” - Cora Coralina

INTRODUÇÃO

Em 1995 o mundo recebia com grande surpresa o best-seller “Inteligência Emocional” do psicólogo norte-americano Daniel Goleman.

Completos 33 anos do lançamento do conceito da inteligência emocional muito dela se falou e discutiu nos quatro cantos do mundo.

Não tive oportunidade de conhecer uma pessoa ou empresa que obtivera sucesso no desenvolvimento prático do conceito de Inteligência Emocional.

Sabe-se que Goleman começou a forjar sua teoria em 1979 quando, na universidade de Harvard, o renomado Howard Gardner presenteava o universo científico com a teoria das MI – Múltiplas Inteligências – como ficou conhecida no mundo inteiro.

Goleman fazia seu doutorado em Harvard na época em que a teoria de Gardner, sobre as Múltiplas Inteligências, estava sendo concluída.

A teoria das MI defende que a inteligência é uma capacidade humana de criar produtos ou serviços que sejam reconhecidos pelo menos por uma sociedade.

Segundo Gardner, todos os seres humanos nascem igualmente inteligente e o que nos distingue são nossos dons, herança genética, para desenvolver habilidades de usar nossas inteligências.

Todas as inteligências podem ser desenvolvidas em qualquer idade. O custo/ benefício auferido está em função do esforço dedicado no desenvolvimento de habilidades nas inteligências paras quais não temos dons.

Quando publicada, em 1984, a teoria demostrou que o homem nasce com 7 inteligências. Posteriormente, foi reconhecida uma oitava inteligência e hoje existe uma nona sob judice.

O objetivo deste artigo não é abordar a teoria das MI, mas sim contextualizar o nascimento da teoria da inteligência emocional.


TEORIA DAS MI - MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS

INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL

Das nove inteligências, Goleman definiu que duas definiam o emocional humano, a inteligência intrapessoal e a inteligência interpessoal.

A inteligência intrapessoal está relacionada com o autoconhecimento, com os conhecimentos dos pontos fortes e fracos do emocional e do saber usá-los de forma harmônica.

Pode ser definida como o conhecimento que uma pessoa tem sobre seus aspectos internos, sentimentos e emoções e, ainda, como ela, por meio desse conhecimento, processa e orienta seu comportamento para melhor aproveitar suas experiências de vida.

Pessoas com inteligência intrapessoal desenvolvida conhecem o modelo efetivo de si mesmas e se esforçam diuturnamente para alcançá-lo. Assim, trabalham permanentemente para o autoconhecimento buscando sempre evoluir.

Por outro lado, desenvolvem reflexões sobre seus modelos mentais e criam formas de corrigirem os efeitos negativos desses modelos.

Outro aspecto a ser relatado é o quanto as pessoas, que desenvolvem a inteligência intrapessoal, vencem sua voz de autocensura (VDA) e acreditam na força da intuição.

Todavia, como essa inteligência é interna e individual, para que seja percebida pelo seu observador é necessário que ela se apoie em outras inteligências mais evidentes tais como a linguagem, a música e outras formas de expressão.

Independentemente da área de atuação, estimular a inteligência intrapessoal é fundamental para todos os indivíduos. Isso porque ela, uma vez combinada com qualquer outra inteligência, potencializa o desenvolvimento das demais inteligências.

Pessoas que trabalham para aprimorar sua inteligência intrapessoal, elevam seu autoconhecimento, seu controle emocional e sua autoestima, proporcionando as demais inteligências que possuem a serem melhor conhecidas e aproveitadas.


INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL

A segunda inteligência abordada por Goleman como fomentadora do emocional foi a inteligência interpessoal.

A inteligência interpessoal refere-se à capacidade de perceber sentimentos, temperamentos, motivações e intenções de outras pessoas, mesmo que elas não queiram deixar transparecer esses sentimentos.

Na pré-história, os homens dependiam uns dos outros para caçar, perseguir e matar animais de grande porte.

Essa atividade exigia participação e cooperação de grande número de pessoas. A coesão, liderança, organização e solidariedade no grupo acontecia naturalmente e era decorrente da Inteligência Interpessoal que possuíam.

No mundo globalizado, a inteligência interpessoal é de fundamental importância na vida das pessoas, pois cada vez mais se é exigida a convivência com pessoas de diversas identidades culturais, religiosas, políticas e sociais.

O seu elemento principal é ter o domínio de perceber e distinguir os estados emocionais das outras pessoas pelo tom de suas vozes e pelas suas expressões corporais ou faciais.

Uma pessoa com inteligência interpessoal bem desenvolvida consegue harmonizar sentimentos em lugar de gerir conflitos.


A AMPLITUDE DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

O que explica a dificuldade encontrada para colocar a brilhante teoria de Goleman em prática é a amplitude do emocional.

Estudando o universo da inteligência emocional, nos últimos 5 anos, resultou na teoria da “IDE-Identidade Emocional”. Tema deste livro.

A inteligência segundo a teoria de Gardner, reconhecida por Goleman, é uma capacidade biopsicológica – uso da mente e do cérebro – de criar produtos e resolver problemas que sejam reconhecidos por pelo menos uma sociedade.

Seguindo esta mesma linha de pensamento considero inteligência uma capacidade do cérebro humano igualmente manifestada em todas as pessoas e pode ser desenvolvida em qualquer idade.

Então a IE - inteligência emocional é uma capacidade intrapessoal e interpessoal, e no contexto deste artigo é o “O que!” as pessoas buscam desenvolver.


IDENTIDADE EMOCIONAL

A IDE – identidade emocional é o “Como” desenvolver sua IE.

Todos os seres humanos tem uma IDE, o problema é que não exerceram praticamente nenhum controle sob seu desenvolvimento.

Muitos buscam na psicologia respostas para sua IDE, mas a terapia não tem esse propósito e sequer foi pensada para essa finalidade.

Outros buscam nas religiões ou em terapias alternativas.

Há um grande movimento no ocidente em busca de filosofias orientais na tentativa de equilíbrio.

Todos esses movimentos inconscientemente buscam estruturar a IDE, mas a IDE é a soma de todos eles e isso explica a completa ausência da IE, mesmo passados 33 anos do nascimento da teoria de Goleman.

A dificuldade neste caso é que por não dominarem sua IDE passam uma vida procurando fora de si, o que chamamos de “Terceirização Emocional”.

A terceirização acontece quando o equilíbrio da pessoa depende de algo externo, muito comum em relacionamentos, patrimônio pessoal ou emprego.

A terceirização pode acontecer nas três dimensões que a mente trafega, passado – Eu era feliz quando vivia de tal forma -, presente – sou feliz porque tenho isso – e futuro, a mais comum, - serei feliz quando conseguir tal coisa.

O verdadeiro equilíbrio, consequentemente a verdadeira felicidade, só é possível de encontrar em nosso interior e para isso defendo a construção de uma identidade emocional.


INTELIGÊNCIA LÓGICA - MATEMÁTICA

A IDE - Identidade Emocional envolve duas outras múltiplas inteligências de Gardner, a inteligência lógica-matemática e, a importante inteligência: inteligência existencial.

A Inteligência lógica-matemática é a inteligência mais valorizada no Ocidente, juntamente com a inteligência linguística. Ambas vivem em um pedestal nos holofotes da teoria do quociente de inteligência (QI).

Esta se refere à capacidade de desenvolver raciocínios lógicos, resolver questões que envolvam a manipulação de números, equações ou resolver problemas pelo raciocínio indutivo ou dedutivo.

O seu desenvolvimento facilita uma visão mais sistêmica da vida. Por meio dela, pessoas conseguem enxergar as diversas conexões de uma situação complexa e desenvolvem uma forte noção de regras que envolvem causalidade, tempo e espaço.

A explicação encontrada para as dificuldades no desenvolvimento da Inteligência Emocional foi a ausência de um processo lógico. E é isto que propõe a IDE – Identidade Emocional.


INTELIGÊNCIA EXISTENCIAL

A quarta inteligência que define nossa identidade emocional é a Inteligência Existencial.

Há pessoas que, mesmo sem uma religião, conseguem sentir a presença de algo maior. Vale ressaltar que em alguns livros encontramos o termo inteligência espiritual”.

Na verdade, o correto é existencial. Esta inteligência ainda não foi oficializada pelo Dr. Howard Gardner apesar de já adotada em alguns países como a China.

Foi exatamente o termo “espiritual” que gerou polêmica a essa inteligência para tornar-se candidata a nona inteligência.

Essa inteligência não está relacionada ao espírito, alma ou religião e sim à percepção da existência de algo superior.

Há registros de pessoas, sem fé ou religião, que manifestaram a percepção de algo superior ao homem, à natureza e aos animais.

Vejam o que disse um dos pioneiros da teoria na China, referindo-se à inteligência existencial: “Para resumir, Howard Gardner ainda não confirmou a existência da inteligência existencial, mas acredito que nosso conhecimento, nossa intuição e nossos insights sobre a vida cotidiana, sobre a natureza, a sociedade e a filosofia, e sobre as obras de arte confirmam essa plausibilidade”.

(Múltiplas Inteligências ao Redor do Mundo – pág. 76)


PERCEBENDO A INTELIGÊNCIA EXISTENCIAL

Tive oportunidade de conhecer Dra. Jie Qi-Chen, discípula de Gardner e responsável pela implantação da teoria das MI na China onde, atualmente, é base curricular do país.

Chen sempre deixou claro a impossibilidade de um país tentar copiar de outro a implantação da teoria das MI, isso ocorre porque a inteligência, na definição de Gardner, é manifestada pela cultura de cada povo, sendo assim, precisa de ser adaptada a cultura a que se propõe usá-la.

Outro fator importante que levou ao sucesso da implementação dessa teoria na China foi o alinhamento da teoria das “múltiplas inteligências” com as quatro principais linhas filosóficas chinesas – confucionismo, taoísmo, budismo e legalismo.

Tanto a teoria quanto as linhas filosóficas têm, em sua essência, a valorização do pluralismo que, por sua vez, exerce influência na cultura popular chinesa.

Isso é perceptível pelo fato de que muitos ditados populares chineses albergam pontos vitais da teoria das “múltiplas inteligências”.

A China sempre foi um país aberto à ideias estrangeiras. Em sua história de 5.000 anos, assimilou à sua cultura o budismo, o marxismo e o próprio cristianismo, comprovando a capacidade de adaptar-se a novas tendências sem perder sua essência.

Com a teoria das “múltiplas inteligências” não foi diferente, ou seja, não foi uma transferência empacotada dos EUA, uma vez que a absorção foi resultado de um processo de aculturação.

Duas questões importantes da teoria foram a base da aceitação: distintas concepções de inteligências e distintos valores orientadores do processo educativo.

Os pais estão se familiarizando cada dia mais com o conceito das “múltiplas inteligências”, passando a observar o potencial de seus filhos sob outro contexto. Perceberam novo papel da família no processo de desenvolvimento cognitivo das crianças.

O acompanhamento em casa tem-se mostrado um forte complemento à observação dos professores.

Não cabe, aqui, discutir os fatos que levaram a teoria das MI a mudar socialmente países como China, Coréia do Sul e Cingapura.

Quero ressaltar que o sucesso da teoria no oriente se deu pelo auto grau de espiritualidade daqueles povos.

A teoria das MI encaixou como uma luva nos pensamentos milenares dos principais filósofos orientais, particularmente na China.


A IDENTIDADE EMOCIONAL

Todo ser humano tem IDE - identidade emocional, mesmo que intrínseca, e ela define as entregas que fazemos em nosso dia a dia, seja como pais, cônjuges, cidadãos, profissionais ou empreendedores.

Entender e dominar a IDE irá, consequentemente, desenvolver a inteligência emocional.

Desenvolver a identidade emocional significa definir valores, o que no MIDE chamamos de ter uma matriz de valores sólida e clara.

Uma vez definidos os valores, saber traduzi-los e neste momento identificar os modelos mentais que geram distorções em nossa modelagem da IDE, trabalhando conceitos e valores que nos traz os famosos modelos mentais geradores dos MARC’s – medo, apego, reconhecimento, controle e culpa – geradores de dissonâncias internas.

Ter inteligência emocional é ter “Autodomínio” da IDE de forma estruturada – lógica-matemática -.

Nossa IDE foi forjada, no passar dos anos, com forte impacto pelo ambiente biopsicológico - família -, ambiente socioambiental – Origem e relação social – e pelo ambiente cognitivo – formação acadêmica e experiências empíricas-.

De modo geral, a maior modelagem da nossa identidade emocional foi realizada pelo ambiente biopsicológico – Família -, pelos pais ou pelo responsável por nossa criação até aos 14 anos, o que na psicologia chamam de impactos biopsicológicos.

Percebe-se nas pessoas que adotaram o método MIDE – Múltiplas inteligências & Desenvolvimento Emocional – criado, especificamente, com o objetivo de desenvolver a IDE, um ganho significativo nas relações humanas, resultado do aumento da inteligência emocional e, consequentemente, do entendimento, tolerância e compaixão nas relações.


A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES HUMANAS NA IDE

Golemam define como um dos quadrantes da estrutura da inteligência emocional o gerenciamento de relacionamentos e Gardner ressalta a importância da inteligência interpessoal em diversas ocasiões.

Acredito que ambos se baseiam em uma pesquisa iniciada em 1939, ainda em andamento, pela Universidade de Harvard sobre a felicidade humana.

A pesquisa se propôs acompanhar durante a vida inteira 400 jovens, metade alunos de Harvard e metade jovens da periferia de Boston.

O último resultado mostra que metade de cada grupo chegou feliz aos 80 anos, provando que estudo e dinheiro não foram o fator determinante da felicidade das pessoas.

O único ponto comum encontrado foram a qualidade dos relacionamentos, pessoas que chegaram aos 50 anos com boas relações, principalmente conjugais, eram mais sadias e felizes aos 80 anos.

A identidade emocional é o DNA do que entregamos em qualquer relação humana e, consequentemente, o ponto de partida da felicidade.

Quando dominamos nossa IDE, dominamos nossas escolhas, visto que definimos o que valoramos e o que iremos entregamos em todas nossas relações humanas.

Quando aprendemos a trabalhar a tolerância e compaixão, mudamos nossa entrega e isso nos traz mais liberdade, pois adquirimos a capacidade de perceber quando é possível ou não fazer uma entrega.

No, ocidente em geral, até mesmo pela base de nossas religiões, temos o habito de definir a quem, como e quando faremos uma entrega, sendo que de fato, só podemos ajudar àqueles que querem ser ajudados.

A identidade emocional nos permite ter esta percepção e agir sem culpa. Ajudar à quem não quer ser ajudado, é “controle”.

O controle é o maior inimigo do emocional humano e está presente nas mínimas ações que empreendemos, tornando com certeza a maior fonte de sofrimento do homem moderno.


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