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Ansiedade, nossa maior aliada!


Antes de abordarmos ansiedade como um tema, sugiro uma análise gramatical da palavra.


Quando recorremos ao dicionário encontramos dois significados bem distintos:

  1. Desconforto físico e psíquico; agonia, aflição, angústia.

  2. Desejo intenso e impetuoso; impaciência, sofreguidão, avidez.

A psicologia define ansiedade como uma condição emocional de sofrimento, definida pela expectativa de que algo inesperado e perigoso aconteça, diante da qual o indivíduo se acha indefeso.


A ansiedade é referida como uma emoção orientada para o futuro, que prepara o indivíduo para situações de ameaça e perigo.


A palavra emoção deriva do termo latino “emovere”, onde o e- (variante de ex-) significa fora e “movere” significa movimento.


Emoção significa gerar comportamentos biologicamente vantajosos, frente a uma necessidade imediata e formam o que a ciência cognitiva chama de orquestra fisiológica, oriundas de estímulos externos. Esta orquestra ocorre para gerar uma atitude, uma ação.


Quando um fator externo é percebido, o cérebro dispara uma série de emoções denominadas de orquestra fisiológica, a maioria absoluta delas são imperceptíveis de forma consciente.


Estudos apontam que quando um bebê olha para mãe com amor sua pupila dilata e sua mão transpira de forma quase imperceptível.


Quando tentamos interpretar, pensar sobre, racionalmente essa orquestra fisiológica, surgem os sentimentos.


Essa orquestra fisiológica, inconsciente, acontece para fazer com que um ser vivo se mova, é uma forma que a natureza encontrou para fazer os seres vivos agirem sem perder tempo.


A emoção é automática, não temos controle volitivo, elas existem para garantir nossa sobrevivência e sua eficácia deriva exatamente por ela ser automática, por ela estar fora do nosso controle.


Ansiedade como doença.


Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno.


Poderia redigir um livro explicando todos os fatores que nos levaram a lamentável primeira colocação, mas não é o objetivo deste artigo.


O caminho para mudarmos o cenário acima é o desenvolvimento de competências socioemocionais, principalmente a inteligência emocional.


Será preciso efetuar movimentos distintos para mudar esse cenário.


A curtíssimo prazo, cuidar do presente - o efeito -, o problema já manifestado.


Precisamos criar campanhas alertando as pessoas para necessidade de procurarem ajuda e paralelamente criar canais eficientes e eficazes para atendê-las.

A curto e médio prazo, atacar o problema na raiz - a causa -, a escola.


Em pleno século XXI a maioria esmagadora das escolas ainda insistem em ensinar uma sobrecarga de conteúdo, esquecendo que a base do sucesso de nossas crianças é a identidade emocional.


Daniel Goleman, em uma década de pesquisa, chegou a conclusão que, em média, o sucesso profissional das pessoas dependem apenas de 10% da sua formação acadêmica e que 90% vêm do universo da inteligência emocional, o que denominamos de identidade emocional.


Identidade emocional é o universo que envolve a inteligência emocional formada pelos três macro ambientes: socioambiental, biopsicológico e cognitivo.


O local onde nascemos e fomos criados: país, região, estado, cidade, bairro e rua, formam o ambiente socioambiental.


O ambiente biopsicológico: família e todos os modelos mentais herdados de nossos pais.


Por último o ambiente cognitivo: escolas, cursos, oportunidades de trabalho e experiências de vida, incluindo até mesmo sorte.


A escola é a raiz porque por meio dela podemos atingir todos os macros ambientes.

A saúde do Brasil, física e mental, passa pela educação.

Uma nação doente só reflete um sistema educacional doente.

O terceiro movimento é despertar as pessoas para a necessidade do desenvolvimento da inteligência emocional de forma profunda e séria antes que a ansiedade se transforme em um transtorno.


O primeiro movimento é muito específico e deve ser direcionado para profissionais especializados, psicólogos e psiquiatras.


Quando a ansiedade é diagnosticada como transtorno, a inteligência emocional deve esperar a entrada de um profissional das áreas citadas acima ou trabalhar em parceria paralelamente.


Ansiedade com origem no passado


A inteligência emocional é o processo de desenvolvimento emocional (PDE), formado por autoconsciência, autogestão e autorregulação.


Autoconsciência significa observar parcialmente as manifestações inconscientes do corpo (emoções) e tomar consciência (pensamento) das raízes dos sentimentos gerados pelas emoções (metaconsciência - ter consciência que não temos consciência de algo).


As raízes dos sentimentos gerados pelas emoções podem estar no nível consciente ou subconsciente (modelos mentais ou crenças limitantes).


Autogestão significa interpretar de forma autoconsciente as raízes de nossas emoções e sentimentos (metapensamento - pensar sobre o que eu penso).


Autorregulação é o domínio do sistema afetivo (emoções e sentimentos) direcionando o comportamento de forma autoconsciente (metavisão - se ver em terceira pessoa) para atingirmos nossos objetivos (visão pessoal).


No método MIDE desenvolvemos o PDE tendo como eixo principal a disciplina do domínio pessoal, a disciplina do crescimento e aprendizado pessoal.


Significa encarar a vida como um trabalho criativo, vivê-la da perspectiva criativa, e não reativa. Não é algo que você possua, é um processo, uma disciplina que se leva para vida inteira.


Adquirimos domínio pessoal quando incorporamos dois movimentos de forma inconsciente em nossas vidas:


1º movimento - contínuo esclarecimento do que é importante para nós:

Que diferença estou fazendo com minha vida? Quais os motivos pelos quais estou nesse caminho?


2º movimento - aprender continuamente como ver a realidade atual com mais clareza: estou em um caminho semelhante ao que planejei – visão pessoal -?


O domínio pessoal é formado por cinco elementos:

  1. realidade

  2. visão pessoal

  3. tensão emocional

  4. tensão criativa

  5. conflito estrutural


Ansiedade na realidade

O primeiro passo para dominar a ansiedade é a autoconsciência da nossa realidade.


A realidade deveria ser a fotografia de uma pessoa vivendo em plenitude - vivendo integralmente em conformidade com seus valores - em razão de um propósito de vida; qualidades de uma vida desfrutada integralmente a partir do interior de cada um.


Realidade significa viver plenamente o estado emocional da entrega; foco no agora, sensação de não haver esforço – há harmonia e congruência com as grandes leis do universo.


Percebemos que nossa ansiedade está relacionada ao passado quando elevamos nossa mente ao 3º nível - autoconsciente - e observamos que nossa realidade diverge do cenário descrito acima.


Ansiedade como tensão emocional


Existem 4 pilares da inteligência emocional que devemos estruturar para eliminar fatores do passado que geram a ansiedade nociva no presente:

  1. sofrimento / modelos mentais (crenças limitantes)

  2. estado emocional

  3. valores

  4. relações humanas

O primeiro pilar, sofrimento, está cercado por modelos mentais que nos prendem e nos limitam, no MIDE são chamados de marc's:

Medo

Apego

Reconhecimento

Controle

Culpa


Ao dominarmos suas origens concomitantemente encontramos a maioria das fontes da ansiedade relacionadas ao passado.


O medo está sempre relacionado ao risco da morte, perigo ou escassez, do contrário ele se disfarça de um outro "marc's" dificultando a identificação.


Por exemplo:

Tenho medo de perder algo. Isso é apego.

Não me arrisco porque tenho medo de não conseguir e ser julgado como fracassado. Isso é reconhecimento.

Não tomo essa iniciativa porque tenho medo de dar errado. Isso é controle.

Não faço isso com medo de magoar meus pais. Isso é culpa.

Os marc's são suas crenças limitantes.


O primeiro pilar, o sofrimento, expressa nossa relação com as adversidades.


O segundo pilar são os estados emocionais, onde o relevante é sabermos qual deles é o nosso estado base, aquele que permanecemos mais tempo.


O emocional transita entre 4 zonas: sofrimento, ilusão, intermediária e felicidade.


A zona do sofrimento é composta por 4 estados:


  1. Escuridão, onde a ansiedade já se manifesta como transtorno ou onde encontramos a depressão;

  2. Fome, sede insaciável pelo ter, entre eles o pior é ter controle;

  3. Animalidade, luta constante pelos prazeres imediatos, sem mensurar o custo/benefício;

  4. Ira, quando direcionamos nosso ódio contra alguém.


A zona da ilusão temos 2 estados: tranquilidade e alegria.

É chamada assim pela característica das pessoas que se encontram nela, acreditam que chegaram a um lugar que de fato estão muito longe.


Pessoas tranquilas baixam a guarda acreditando que estão equilibradas e pessoas alegres acreditam que são felizes, não percebem que felicidade oriunda de fatores externos é apenas uma alegria momentânea.


Quando conseguimos elevar nossas vidas a um dos 4 estados elevados, damos um passo decisivo no controle da ansiedade.


O terceiro pilar da realidade são nossos valores.

Como podemos viver sem sermos tomados pela ansiedade se vendemos nossos valores o tempo todo.


A maior fonte da ansiedade são valores inegociáveis que vendemos sem perceber; fazemos isso pelo simples fato de sequer sabermos quais são nossos valores inegociáveis.


O quarto pilar são as relações humanas, que expressam todas as deficiências dos três primeiros.


Segundo pesquisa realizada por 75 anos pela universidade de Harvard, a felicidade está diretamente relacionada a qualidade de nossas relações humanas.


Ansiedade como energia vital

Existe um lado de muita energia vital, força e luz na ansiedade.

Quando ela se manifesta provocada pela intuição, um chamado para direcionarmos nossas vidas rumo a uma visão pessoal.


A visão pessoal é a montanha que escolhemos escalar, a imagem de futuro desejada.

Mais importante do que definir a visão é o chamado intrínseco nela, nosso propósito de vida.


Quando conectamos com nossa visão, e isso sempre acontece de forma gradativa, sentimos ansiedade.

Nesse caso ansiedade significa: desejo intenso e impetuoso; impaciência, sofreguidão, avidez.


Na inteligência emocional esse tipo de ansiedade é chamada de tensão criativa e está relacionada ao futuro.


A ansiedade como tensão criativa é o que faz a borboleta quebrar o casulo, é a vontade de buscar o sentido, ouvir o chamado, o propósito de vida.


Qual a fonte da sua ansiedade


Na inteligência emocional aprendemos a trabalhar os dois universos da ansiedade.


Ansiedade relacionada ao passado está relacionada aos modelos mentais marc's - medo, apego, reconhecimento, controle e culpa - nos sentimos presos, sabendo que existe um mundo inteiro para ser explorado do lado de fora da janela


É o momento de revermos os 4 primeiros pilares da inteligência emocional: sofrimento / modelos mentais, estados emocionais, valores e relações humanas.


Por outro lado, se nossa ansiedade tem origem na vontade de realizar, de encontrar nosso propósito de vida, da vontade de escolher a montanha certa para subir, ela é a manifestação da nossa energia vital.


Nesse caso precisamos rever os 2 últimos pilares da inteligência emocional: propósito de vida e visão pessoal.


Afinal, qual a origem da sua ansiedade?

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