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Cadeia hereditária


“No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los.

Raramente ou quase nunca os perdoam.” – Oscar Wilde


Nós como indivíduos estamos presos a uma corrente que chamo de cadeia hereditária.


Entender com profundidade este conceito nos ajuda a desenvolver as bases da empatia: tolerância, compaixão, entrega e liberdade.


Somos um ela de uma corrente, herdamos características fisiológicas como traços de nossa aparência, perfil de múltiplas inteligências, necessidades motivadoras e a mais importante de todas as heranças, o temperamento.


Eles irão combinar com as heranças específicas de uma cadeia hereditária, como hábitos educacionais e valores traduzidos por modelos mentais que quando expostos as experiências interpessoais irão definir nosso caráter e consequentemente nossa personalidade.


Aqui podemos perceber que nossa personalidade é composta por dois elementos, um hereditário, o temperamento e outro adquirido, o caráter.


Novamente a escola volta para a pauta dos valores de aprendizagem socioemocional.


Nossas casas são o que chamo de ambiente controlado, onde passamos valores por meio de hábitos educacionais.


Esses hábitos serão expostos a experiências interpessoais em dois ambientes, o controlado – nossa casa – e o ambiente não controlado – a escola – e a combinação irá formar o caráter de nossos filhos.


A escola tem um papel fundamental na formação da personalidade de nossos filhos e a sua escolha deveria ser levado muito mais a sério do que simplesmente o resultado acadêmico que ela proporciona.


Recentemente me entristeceu quando li uma pesquisa que 85% dos pais escolhem as escolas pelo resultado no ENEM.


Considerando a 4ª revolução industrial e o a base curricular orientada pelo WEF – Fórum Econômico Mundial – este quesito não está na minha relação de características na escolha de uma escola.


Claro que observo muito a qualidade acadêmica da escola, mas não porque acredito que estão preparando meus filhos para o ENEM, considero importante para reforçar um valor que trabalho de forma intensa em minha casa, a importância do conhecimento.


Nós pais não podemos nunca perder o foco que quem educa e passa valores somos nós pelos hábitos educacionais, a escola deve reforçar esses valores.


Quando a criança começa a sofrer na escola? Quando inconscientemente ela tenta colocar em prática os valores e hábitos educacionais aprendidos em casa e a resposta do grupo é negativa.


Os valores adquiridos em casa não refletem valores reconhecidos pela sociedade.


Enxergo a escola como o ambiente que meus filhos estão experimentando a vida e um ambiente propício para que os hábitos educacionais sejam colocados a prova.


A escola deveria ser o ambiente onde os pais percebam os desvios de seus hábitos educacionais e se livram das amarras de suas cadeias hereditárias.


Segundos estudos na Alemanha um constructo biopsicológico pode viajar por até 42 gerações.


Importante ressaltar que recentemente uma geração foi reduzida de 25 anos para 10.


Tenho filhos com diferença de 6 anos e percebo que em muitos casos não fazem parte da mesma geração.


Considerando que a cada ano trocamos de geração, 42 gerações significa que trazemos em hábitos, crenças, modelos de 420 anos atrás.


Pense nisso com muita seriedade, imagine que sem perceber você pode estar educando seus filhos com conceitos nascidos no ano de 1.520.


Recentemente uma pessoa me questionou isso e passei um exemplo simples e fácil de perceber.


Como a mulher é vista na maioria dos países do mundo hoje?


Claro existem exceções, mas pedi para analisar como uma visão global, sendo assim chegamos a conclusão que supera e muito 420 anos.


Se consideramos a idade média de 80 anos, cheguei ao número de 67.582 pessoas com algum tipo de influência em nosso inconsciente.


É por esta razão que defendo a tese de viajarmos no trem da vida olhando para frente.


Costumo dizer que a vida é um trem que não para, e como na maioria dos trens você tem a opção de viajar olhando para frente ou para trás.


Eu decidi romper com esse elo utilizando os conhecimentos da aprendizagem socioemocional. Vire o banco da sua vida recomendo a todos, no passada você vai encontras causas imutáveis, efeitos imutáveis e efeitos mutáveis.

A única coisa que você pode fazer com relação ao passado é trabalhar para descobrir se ainda existem efeitos latentes – que ainda não se manifestaram em sua vida -, o resto não vale a pena.


Com a descoberta da mente autoconsciente, o terceiro nível da mente, somada as metaferramentas – metapensamento, metaconsciência e metavisão – podemos gerar o que chamamos de metacognição e criar um novo corpo de conhecimento com o próprio conhecimento que já temos.


Esta questão da cadeia hereditária irá surgir com muita força quando começarmos a montar nossa matriz de valor.


Todas os modelos mentais e concepções – conjunto de modelos mentais – que atuam conjuntamente pelas sinapses irão surgir e irão nos surpreender.




Observe o bebê na foto acima. Quando faço esse exercício em minhas aulas todos os alunos que são pais pensam em seus filhos e aqueles que ainda nõ tem filhos normalmente se veem.


Vou pedir uma coisa inusitada. Imagine que o bebê é um de seus pais ou uma pessoa que você tenha uma desavença muito grande. Nunca pensamos em nossos pais e nas outras pessoas como bebês. Meu propósito é apenas lembra-lo que assim como você nasceu com seu HD (cérebro) em branco, essas pessoas também.


Esse exercício nos ajuda a desenvolver mais empatia com as pessoas, desperta mais tolerância, compaixão e, em muitos casos, desperta a entrega em nossos corações.


Importante ressaltar que em momento algum peço para as pessoas aceitarem o que foi feito, realmente tem fatos que são inaceitáveis.


O que estou pedindo era entenderem que os pais e todas as outras pessoas sofreram o impacto de suas cadeias hereditárias e que, em muitos casos, são repletos de sofrimento.


Quando estou ensinando o pensamento sistêmico, composto por 11 princípios, gosto de iniciar pelo 11º princípio: “Não existem culpados”. Tudo que vivemos é sistêmico, resultado de uma combinação que pode ser incrível ou muito difícil de encarar.


Um dos institutos Marc Plank da Alemanha realizou uma pesquisa com bebês em torno de 18 meses e publicou que como resultado que a natureza humana é altruísta e todos nascemos bons.


A pesquisa foi questionada pela Universidade de Yale, que decidiu repetir os estudos por entenderem que bebês de 18 meses já poderiam ter sofrido muitas influências advindas de hábitos educacionais.


Sendo assim, decidiram repetir os estudos com bebês de 6 a 9 meses e por fim, chegaram a mesma conclusão.


Ambos os estudos só confirmaram uma certeza intuitiva que sempre trabalhei em mim, o homem é fruto da combinação dos três macroambientes.


Isso não significa que existem efeitos latentes em nosso passado que não precisam ser tratados. Alguns efeitos só poderão serem transformados com o apoio de um terapeuta.


AMBIENTE COGNITIVO



Formado pelas experiências acumuladas no decorrer de nossa vida, incluindo o acesso a educação formal, relacionamentos, trabalhos, cursos, livros e todas as outras formas de aprendizagem empírica.


Acredito que a maneira mais eficiente de esclarecer valores é extraí-los da nossa experiência de vida.


Valores são modelos mentais registrados em nossa consciência como corretos e/ou bons que registramos como nossa volição.


Esta é a razão que os valores não estão relacionados a moral, não possuem o caráter de certo ou errado.


Dependendo da cultura que uma pessoa adquire do país, região, estado, cidade ou até mesmo o bairro, irá influenciar sua forma de pensar.

Os modelos mentais estão na raiz de todos os conflitos interpessoais, como disse anteriormente.


As pessoas podem até especificar os mesmo valores em suas matrizes, mas quando começam redigir suas cartas de valores percebem que traduzem determinados valores de forma completamente diferente da outra pessoa.


Pude presenciar a força dos modelos mentais quando morei nos Estados Unidos, dividia uma casa em San Diego – Califórnia – com um árabe, um suíço alemão e um japonês.

Três culturas milenares convivendo comigo, que só nesse momento pude refletir como a cultura brasileira ainda não se formou.


Não podemos afirmar que temos uma cultura, basta viajar pelas cinco regiões do Brasil e temos a sensação de termos viajado por cinco países diferentes que falam a mesma língua.


Os conflitos eram muitos, principalmente entre o árabe e o alemão.


Hoje entendo que em todas as calorosas discussões ambos estavam certos.


Encontrar peças que foram forjadas com verdades de gerações anteriores e que vem se perpetuando no que denominamos de “Cadeia hereditária”.


Cada um havia sido modelado para pensar de uma forma totalmente diferentes e defendiam como verdades aquilo que a séculos estavam em suas cadeias hereditárias.


Se fosse possível trazer para mesa os tataravós de cada um deles provavelmente a discussão seria a mesma.


Modelos mentais são simplificações criadas pelo cérebro para que uma pessoa aja sem pensar, imagens sobre o funcionamento do mundo gravadas em nosso inconsciente, também chamados de nossas concepções.


Sempre que nos deparamos com uma cena previamente julgada em nossa mente, enxergamos não o fato real, mas sim a fotografia que está em nosso inconsciente.


Nossos modelos mentais determinam não apenas como vemos o mundo, mas também como agimos, traduzimos nossos valores, crenças e sentimentos.


Consequentemente, influencia a maneira e o funcionamento do mundo. São aquelas imagens que limitam as formas conhecidas de pensar e agir, formas essas nem sempre éticas e condizentes com a vida boa, saudável.


Desde o nascimento, sofremos influências que modelam nossa forma de enxergar o mundo.


Podem ser generalizações simples como “Não podemos confiar nas pessoas” ou até teorias complexas como premissas sobre razões pelas quais famílias inteiras agem de determinada maneira.


Os modelos mentais afetam fortemente nossos comportamentos, isso ocorre porque eles afetam o que vemos.


Duas pessoas podem presenciar o mesmo fato e descrevê-lo de forma completamente diferente.

As defasagens, muitas das vezes, soam como hipocrisia, podendo até ser o caso, mas temos que considerar a hipótese que existe um modelo mental atuando no inconsciente da pessoa.


Os problemas dos modelos mentais não estão no fato de eles estarem certos ou errados – por definição, todos os modelos mentais são simplificações. Os problemas com modelos mentais surgem exatamente porque operam no inconsciente.


Pense nos modelos mentais como um cubo formado por diferentes peças.

São elas:


1. Emoções;

2. Sentimentos;

3. Pensamentos;

4. Volição (vontade) / comportamento;

5. Interconexões com outros modelos mentais.


Um conjunto de modelos mentais criam o que chamamos de “concepção”.


Uma concepção é formada quando o cérebro define um conceito, uma forma ou um ideia, mas não como um conceito estático.


Quando o cérebro concebe algo ele grava juntamente com tudo que citei acima com todas as mensagens subliminares possíveis.


Por isso não modelos mentais não passam de simplificações que o cérebro criou para agirmos de forma automática em 99% de nosso tempo.


Quando enxergamos um copo não pensamos ali está um objeto que pode ser de vidro, plástico ou cristal que serve como um recipiente para que possamos colocar líquidos, entre eles água para matar nossa sede.


Essas interconexões já foram feitas anteriormente pelo cérebro, quando enxergamos um copo recebemos apenas a informação, vou beber água.


Observe que nada mais passou pela sua mente, só a mensagem intrínseca na imagem do copo, matar a sede.


O problema é que fizemos o mesmo para todos nossos valores e comportamentos, por isso as pessoas os repetem indefinidamente até que um dia sofram muito e percebam a necessidade de mudar.


Os modelos mentais falam entre si pelas sinapses. Um modelo mental pode conter milhares de complementos de outros modelos mentais.


Para facilitar vou utilizar o exemplo da águia da fábula que contei anteriormente.

Quando a águia olhava para a gaiola não enxergava um galinheiro, mas as mensagens intrínsecas como segurança, controle, previsibilidade, estabilidade, aconchego e resumia isso em uma concepção: felicidade.


Lamento dizer isso, mas todos os dias cruzo com águias que ainda tem essa concepção de um galinheiro.


Posso até não ser feliz, mas tenho plano de saúde, 13º salário, estabilidade e isso me faz feliz. Será? Tenho minhas dúvidas se o valor correto neste caso seja felicidade.


É de suma importância entendermos que todo indivíduo é um sistema que traz em sua história modelos mentais, herdados de gerações anteriores ou desenvolvidos no decorrer da vida, que definiram seus valores.


O que foi herdado não foram os valores especificamente, mas sim os modelos mentais que traduzem os valores em atitudes.


É importante reforçar que um valor, consequentemente um modelo mental que o rege, pode viajar por 42 gerações.


Você pode estar repetindo comportamentos que não te pertence, não representam seus verdadeiros valores, chamo de estarmos presos a nossa cadeia hereditária.


Pessoas dispostas a rever seus “Modelos Mentais” provocam uma “metamorfose” em suas vidas.


Importante entender que valoramos de forma inconsciente pela forma como modelos mentais foram concebidos em nossa consciência.


Podemos afirmar que nossa consciência é um conjunto de concepções que formam um conjunto de modelos mentais.


Observe neste exemplo o choque de valores advindo de diferentes modelos mentais ou de diferentes cadeias hereditárias.


Quando definimos nos unir a uma pessoa, não discutimos o significado de educação.


Todo casal tem diferenças de modelos mentais oriundas de suas cadeias hereditárias. Na maioria dos casais, essas diferenças surgem depois do nascimento do primeiro filho.


Essas diferenças são responsáveis por 64% dos divórcios e acabam conduzindo nossos filhos para uma das quatro trilhas da depressão.



Superproteção ou parentalidade intensiva


A parentalidade intensiva foi descrita pela primeira vez nas décadas de 1990 e 2000 por cientistas sociais.


Ela cresceu a partir de uma grande mudança na forma como as pessoas viram as crianças.


Eles começaram a ser considerados vulneráveis e moldáveis - moldados por suas experiências na primeira infância - uma ideia reforçada pelos avanços na pesquisa sobre desenvolvimento infantil.


Psicólogos e outras pessoas levantaram alarmes sobre os altos níveis de estresse e dependência das crianças em relação aos pais e a necessidade de desenvolver independência, autoconfiança e coragem.


Pesquisa mostram que crianças com pais hiperenvolvidos têm mais ansiedade e menos satisfação com a vida e que, quando brincam sem supervisão, desenvolvem habilidades sociais, maturidade emocional e função executiva.



Estes pais são denominados de limpa-trilhos



Os pais limpa-trilhos estão sempre um passo a frente tirando todos os obstáculos que poderão surgir na vida dos filhos, criando adultos sem resiliência, baixa autoestima e baixíssima resistência a frustração.


Pais que limpa-trilhos que, ao tentar “manter o futuro dos filhos livres de obstáculos”, impedem que eles aprendam as habilidades necessárias e tenham experiências que irá ajudá-los a se prepararem para os desafios que enfrentarão na faculdade e além.


Dizem que os pais limpa-trilhos foram tão longe que muitos jovens estão em crise, sem essas habilidades de resolução de problemas e experimentando recordes de ansiedade.


Muitos pais limpa-trilhos sabem que é problemático. Mas, devido ao privilégio, à pressão dos colegas ou à ansiedade sobre o futuro de seus filhos, eles o fazem de qualquer maneira.


Aprender a resolver problemas, correr riscos e superar a frustração são habilidades cruciais para a vida, dizem muitos especialistas em desenvolvimento infantil, e se os pais não deixam seus filhos encontrarem falhas, eles não os adquirem.


Os pais que superprotegem acreditando que estão ajudando, quando na verdade, estão destruindo a juventude e a saúde mental do futuro adulto.


Excesso de pressão por resultados



Do outro lado estão os pais com a mente modelada no século XX que ainda acreditam que uma boa formação acadêmica, apenas, irá garantir o futuro de seus filhos.


A quantidade de dinheiro que os pais gastam com os filhos com menos de 6 anos hoje é a mesma que costumavam atingir o pico quando estavam no ensino médio no final da década de 1990.


Obviamente, a escola não é o único lugar em que os pais pressionam os filhos. Alguns pais pressionam as crianças a se saírem bem em esportes, música, teatro ou em um grande número de outras atividades.


Pais de alta pressão podem insistir que as crianças pratiquem constantemente e tenham um bom desempenho nas competições.


Há sinais de reação, liderada pelos chamados pais do campo, mas os cientistas sociais dizem que a implacabilidade dos pais modernos tem uma forte motivação: ansiedade econômica.




Pela primeira vez, é provável que as crianças sejam menos prósperas do que seus pais.


O número de jovens que se suicidam tem aumentado a cada ano.


Embora ninguém possa explicar exatamente o porquê, muitos especialistas dizem que os pré-adolescentes e os adolescentes de hoje provavelmente enfrentam mais pressões em casa ou na escola, se preocupam com questões financeiras para suas famílias e usam mais álcool e drogas.


É saudável querer trazer o melhor do seu filho. Mas, às vezes, os pais colocam as crianças sob tanta pressão para ter um bom desempenho que seus filhos sofrem sérias consequências.


O futuro de qualquer sociedade depende de sua capacidade de promover o desenvolvimento saudável da próxima geração.


Pesquisas extensivas sobre a biologia do estresse agora mostram que o desenvolvimento saudável pode ser prejudicado pela ativação excessiva ou prolongada dos sistemas de resposta ao estresse no corpo e no cérebro.


Esse estresse tóxico pode ter efeitos prejudiciais sobre a aprendizagem, o comportamento e a saúde durante toda a vida útil.


Por que isso? Toda essa pressão e a hiperatividade resultante parecem deixar as crianças muito cansadas, muito inadequadas e muito sozinhas. Não é à toa que eles são infelizes.


A conversa sobre a intensa pressão sobre os filhos normalmente se concentra na cultura dos pais, no que os pais estão fazendo de errado.


Mas tudo isso precisa ser considerado no contexto mais amplo da economia global.


A pressão sobre os filhos pode vir dos pais, mas é o resultado de forças sistêmicas muito maiores e muito mais poderosas do que qualquer coisa que qualquer família tenha controle.


A luta é real. Em uma pesquisa recente com mais de 35.000 adolescentes, 45% disseram estar estressados ​​"o tempo todo".


De acordo com OMS – Organização Mundial de Saúde -, a taxa de suicídio de crianças de 10 a 19 anos aumentou 56% entre 2007 e 2016.


Enquanto isso, em uma pesquisa realizada no ano passado, 64% dos universitários disseram ter sentido "uma ansiedade avassaladora nos últimos 12 meses.”



Não é de admirar que tenha se tornado comum que estudantes de faculdades e escolas secundárias vejam os terapeutas como uma maneira de lidar com o estresse.


Curiosamente, enquanto os observadores dizem que os níveis de ansiedade aumentaram entre as crianças de todas as origens, o problema é particularmente visível entre os adolescentes nas áreas mais ricas e de alto desempenho.


Embora crianças de famílias de baixa renda enfrentem obstáculos muito maiores e mais concretos - escolas precárias, violência e trauma em seus bairros, acesso limitado ao ensino superior - são as crianças com oportunidades aparentemente intermináveis ​​que tem pais que mais se preocupam com seu futuro.


Vivendo sob o efeito de expectativas irreais advindas das redes sociais



A maior mudança geracional que os adolescentes enfrentam atualmente é o aumento da mídia digital e da tecnologia portátil.


Claro, isso tem alguns benefícios. Mas também criou problemas que não eram enfrentados por gerações antes.


Onde antes as outras crianças do nosso ano escolar eram nossos pontos de comparação, os adolescentes de hoje são capazes de se comparar a um número ilimitado de colegas e modelos por meio das mídias sociais.


Essa comparação "virtual", ao invés da vida real, significa que os adolescentes estão sujeitos a uma comparação injusta e distorcida que inevitavelmente fará com que se sintam inadequados.


Porque o que vemos nas mídias sociais não é um reflexo preciso da vida real. Não de corpos, popularidade, conquista, estilo de vida ou humor.


Como resultado, ocorre uma onda de perfeccionismo.


Padrões irrealistas para como nós e nossa vida devemos parecer e combinar, combinados com o esforço incansável para alcançar esses objetivos impossíveis, são uma receita para a ansiedade e outros problemas.


A pressão para realizar transbordamentos em atividades acadêmicas e esportivas e o autojulgamento são abundantes.


Os pais ficaram compreensivelmente confusos com essa mudança, à medida que se movem instintivamente para proteger seus filhos dessa mistura nebulosa de tecnologia combinada com o esforço antigo de que os adolescentes naturalmente precisam se adaptar e se encaixar.


A ironia do perfeccionismo é que, quando fica muito forte, atrapalha a conquista: ela se manifesta como demorando demais, evitando e procrastinando, e com medo de correr riscos.


Um perfeccionista sempre quer se sentir confortável e no controle, vê erros e falhas como terríveis, e sua autoestima está ligada ao resultado de seus esforços, sejam as notas na escola, o desempenho no campo esportivo ou a sua forma e peso.