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Síntese da teoria das Múltiplas Inteligências


"Frequentemente, enfrentamos uma série de grandes oportunidades habilmente disfarçadas em problemas insolúveis.” - Howard Gardner

A teoria das Múltiplas Inteligências começou a ser desenhada em 1979, quando a fundação “Bernard Van Leer” com sede na Holanda, destinou uma verba à Escola de Pós-Graduação de Harvard para responder à seguinte pergunta: “O que se sabe sobre a natureza e a realização do potencial humano?”. Coube ao Dr. Howard Gardner a coordenação dessa pesquisa.

Entre 1979 e 1983, Gardner desenvolveu a teoria das “Múltiplas Inteligências”, reconhecida como a mais inovadora teoria da cognição elaborada no século XX. Ela promete revolucionar o processo educativo do século XXI. O estudo culminou com a publicação do livro “Estruturas da Mente”, em 1983.

Com efeito, no início da década de noventa, a comunidade acadêmica, em dezenas de países, questionava rigorosamente a qualidade do sistema educacional então vigente e a forma de ensinamento que se praticava nas escolas. Assim, quando o Dr. Howard propôs uma visão pluralista da educação e, consequentemente, da escola, evitando, com isso, o que chama de visão unidimensional gerada pelas políticas educacionais fundamentadas em testes de QI e SAT ( Scholastic Aptitude Test-SAT), os educadores o aplaudiram.

Múltiplas inteligências – Teoria​


“Todo mundo é inteligente. Mas se você julgar um peixe pela sua capacidade de subir em árvores, ele vai passar a vida inteira pensando que é estúpido.” – Einstein

À frente da equipe de colaboradores na pesquisa para responder as questões elaboradas pela Fundação Van Leer, Dr. Gardner orientou um estudo que se debruçou sobre a vasta literatura então existente sobre cognição: pesquisas genéticas; estudos de neurociência; psicologia; educação; antropologia e outras disciplinas afins que geraram a formulação da Teoria das Múltiplas Inteligências, a qual, por sua vez, revolucionou o mundo científico da cognição, principalmente na área das ciências humanas, dando-lhes espetacular salto de qualidade.

O Dr. Howard cunhou a nova definição de inteligência como sendo a “capacidade de resolver problemas e elaborar produtos, valorizados em um ou mais ambientes culturais ou comunitários”. Estabeleceu critérios para as definições de inteligência, cujo conjunto, segundo afirma o próprio Dr. Howard, é a mais importante característica da Teoria das Múltiplas Inteligências.

O ponto alto da teoria é a capacidade humana de desenvolver, durante a vida, as inteligências do intelecto. Todos terão seu perfil modificado pelas influências dos afetos trocados no transcorrer de sua existência. Essas trocas afetivas e diversos outros estímulos recebidos ajudarão para que as inteligências atinjam altos patamares de excelência, ou, caso sejam negativos esses estímulos, as prejudicarão, estagnando-as ou atrofiando-as por falta de uso e\ou incentivo.

Foram identificadas nove inteligências:

Inteligência Intrapessoal;

Inteligência Interpessoal;

Inteligência Lógico-Matemática;

Inteligência Linguística;

Inteligência Musical;

Inteligência Cinestésica-Corporal;

Inteligência Espacial-Visual.

Inteligência Naturalista.

Inteligência Existencial.

No estudo das Múltiplas Inteligências existem afirmações relevantes:

Todos os seres humanos possuem essas inteligências (elas nos tornam humanos, falando em termos cognitivos).


Pode-se nascer com algumas inteligências mais desenvolvidas do que outras, porém algumas podem ficar latentes a vida inteira por falta de estímulo;

A teoria sugere que devemos investir nas inteligências que estão mais desenvolvidas e por meio delas buscar desenvolver as inteligências latentes, ou pouco desenvolvidas.

Múltiplas inteligências – Pesquisa e Desenvolvimento


“Há instantes em que os homens são senhores do seu destino.” - Shakespeare

Pois bem. Essa teoria sustenta que não se pode priorizar as inteligências, como até então fora feito, conferindo uma valorização exacerbada para as inteligências lógica-matemática e linguística. Para o Dr. Gardner, todas as inteligências têm o mesmo valor não fazendo sentido a priorização de umas em detrimento de outras.

Infelizmente, a maioria absoluta dos testes usados em todos os níveis do nosso ensino estão baseados nessa alta valorização das capacidades verbais e matemática. Ora, pessoas com inteligência lógica-matemática e linguística podem se sair bem em testes de QI ou SAT e seguirem seu curso superior com base nessas duas inteligências.


Porém, no exercício de suas profissões, dependendo da especialidade que exercerem, poderão requerer a necessidade de habilidades e competências socioemocionais relacionadas à aprendizagem socioemocional (ASE).


Outro ponto alto da teoria é a descoberta de que o ser humano tem capacidade de desenvolver, durante a sua vida, todas as inteligências do intelecto.


Segundo os estudos do Dr. Gardner e sua equipe, todos nascemos com os tipos de inteligências identificados na pesquisa, sendo certo que elas variam de grau e potencialidade, por uma razão de ordem natural, em cada um de nós.


Porém, estão ali, latentes! São os afetos trocados no transcorrer da existência e os diversos estímulos recebidos ou, ao contrário, a carência desses elementos, que determinarão o nível de aproveitamento e desenvolvimento dessas inteligências.

Ou seja, são as experiências afetivas e os estímulos externos recebidos pela pessoa que influenciarão para que elas elevem suas inteligências a patamares de excelência. Da mesma forma, a falta de relações interpessoais de qualidade, a ausência de estímulos propulsores ou a ocorrência, frequente ou não, de vivências ou situações opressoras farão com que suas inteligências sejam prejudicadas, estagnadas ou, até mesmo, atrofiadas por completo.

É nesse ponto que a teoria das MI interconecta com à aprendizagem socioemocional (ASE).

Portanto, essa teoria preceitua que o propósito da escola deverá ser o de desenvolver e ajudar as pessoas a encontrarem objetivos e passatempos adequados ao seu espectro de inteligências, levando-as, com isso, a se sentirem mais valorizadas e competentes e, em consequência, mais engajadas e inclinadas a servirem à sociedade de uma maneira construtiva.

A teoria das “MI” (Múltiplas Inteligências), como veio a ser chamada, conduziu à noção de uma escola centrada no indivíduo, voltada para um entendimento e desenvolvimento ótimo do perfil cognitivo de cada aluno.

A chave dessa nova escola proposta pelo Dr. Gardner é a suposição de que nem todos aprendem da mesma maneira, bem como de que nos dias de hoje é impossível aprender tudo que tem para ser aprendido. Essa nova escola centrada no indivíduo deve ser rica na avaliação das capacidades e tendências individuais.

Alunos com diferentes perfis de inteligência aprendem de diferentes formas, as escolas precisarão adequar os indivíduos não apenas às áreas curriculares, mas também aos métodos particulares de ensinar esses assuntos.


Leia o artigo completo sobre a teoria das Múltiplas Inteligências

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