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5 passos antes de escolher uma escola

Atualizado: Mar 24


Primeiro passo


Pais ou responsáveis, antes de pensarem na escola, façam uma autocrítica e avaliem se fizeram o seu dever de casa: entender a natureza da criança, independentemente da idade, pré-escolar (ideal), primeira infância, pré-adolescência ou adolescência.

A natureza guarda o perfil socioemocional da criança, e o seu desenvolvimento é um processo biopsicológico – mente e cérebro – que envolve características hereditárias e características desenvolvidas principalmente pelos pais, responsáveis e cuidadores.

Traçar um perfil socioemocional do filho antes de escolher a escola é fundamental no processo.

Características socioemocionais hereditárias que irão interagir diretamente com o ambiente escolar: o perfil de temperamento, o perfil das múltiplas inteligências e as necessidades motivadoras.

Uma vez que os pais dominem o perfil socioemocional hereditário da criança, poderão descobrir quais das sete alavancas para trabalhar a mente de uma pessoa mais funcionam com seu filho. Isso faz toda a diferença!

Características socioemocionais desenvolvidas pelos pais que irão interagir diretamente com o ambiente escolar: a modelagem dos valores e das crenças limitantes – medo, apego, reconhecimento, controle e culpa – na mente da criança. Esta análise praticamente já define como serão as relações humanas da criança, a resiliência, autoestima, resistência a frustrações.

O perfil socioemocional construído pelos pais, ou responsáveis, influencia a vida de uma criança mesmo na fase adulta. Existem características neste processo que levaremos para a vida toda.

Então o lar é o ambiente biopsicológico e será o principal ambiente para o desenvolvimento da aprendizagem socioemocional (ASE) da criança.



Segundo passo


Acredito que este seja o passo fácil? difícil e que a maioria dos pais trabalham em plena negação: avaliar o ambiente biopsicológico, a estrutura socioemocional da própria família.

Este é o ambiente alicerce da criança. Qualquer deficiência nele irá eclodir na sala de aula.

Acreditem, 90% dos pais não fazem ideia do que os professores estão passando no dia a dia, pela falta desta autoanálise dos pais.

Este passo não tem como intuito corrigir 100% das deficiências socioemocionais da família antes de enviar a criança para a escola, mas trazer uma autoconsciência das dificuldades que os filhos poderão enfrentar.

Isto permitirá que pais se tornem verdadeiramente parceiros da escola.

Neste momento, damos início ao desenvolvimento socioemocional dos próprios pais, pois para isso precisarão testar a primeira das cinco competências socioemocionais essenciais: autoconsciência.

Autoconsciência é a capacidade de reconhecer com precisão as próprias emoções, os próprios pensamentos e valores e como eles influenciam o comportamento; a capacidade de avaliar com precisão os pontos fortes e as limitações de uma pessoa, com um senso bem fundamentado de confiança, otimismo e uma "mentalidade de crescimento".

A autoconsciência demanda as seguintes habilidades socioemocionais: saber identificar emoções, ter autopercepção precisa, reconhecer suas forças e fraquezas, ter autoconfiança e autoeficácia.

Antes de prosseguirmos, tenho uma pergunta: Como você avalia sua autoconsciência?

É importante ser bem criterioso ao responder a esta questão.

Pais com nível de autoconsciência baixo não desenvolvem essa competência e suas habilidades nos filhos.

O conceito de autoconsciência recentemente foi revisto por um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard, coordenados pela Dra. Tasha Eurich.

A pesquisa revelou muitos obstáculos, mitos e verdades surpreendentes sobre o que é a autoconsciência e o que é necessário para melhorá-la.

Segundo a Dra. Tasha Eurich explica:

​"Descobriram que, embora a maioria das pessoas acredite ter autoconsciência, a autoconsciência é uma qualidade verdadeiramente rara: estimamos que apenas 10% a 15% das pessoas que estudamos realmente se enquadram nos critérios.”

Antes de irmos para o terceiro passo, iremos demandar ainda mais da autoconsciência dos pais ou responsáveis: é preciso avaliar se a criança está sob efeito do estresse tóxico.

A exposição ao estresse tóxico pode ter consequências prejudiciais à saúde física e mental a curto e longo prazos em crianças e adultos.

Outro ponto crucial no desenvolvimento da autoconsciência dos pais é a avaliar se não estão vivendo a “Síndrome do Limpa-Trilho”.

Os pais estão se antecipando a toda e qualquer frustração que o filho possa vir a vivenciar, criando crianças frágeis socialmente falando.

Psicólogos e outras pessoas levantaram alarmes sobre os altos níveis de estresse e dependência das crianças em relação aos pais e a necessidade de desenvolver independência, autoconfiança e coragem.



Terceiro passo


É o mesmo processo do segundo passo, mas agora envolvendo a segunda competência essencial: autogestão.

O desenvolvimento da autogestão deve ser trabalhado já nos primeiros meses de vida.

Esta competência será essencial para que as crianças aprendam a se adaptar em diferentes ambientes e situações.

Quando não desenvolvemos as três competências da autogestão, nossos filhos acreditam que a única verdade é a deles e não conseguem exercer a empatia pelos colegas.

A autogestão é composta por três competências socioemocionais:

1. A própria autogestão: capacidade de regular com sucesso as emoções, os pensamentos e comportamentos em diferentes situações, gerenciando efetivamente o estresse, controlando os impulsos e motivando-se. É a capacidade de definir e trabalhar em direção a objetivos pessoais e acadêmicos.

A autogestão demanda as seguintes habilidades socioemocionais: controle de impulso, gerenciamento de estresse, autodisciplina, automotivação, estabelecimento de metas e habilidades organizacionais.

2. Consciência social: capacidade de assumir a perspectiva e ter empatia com os outros, incluindo aqueles de diversas origens e culturas. É a capacidade de entender as normas sociais e éticas do comportamento e de reconhecer os recursos e apoios da família, escola e comunidade.

A consciência social demanda as seguintes habilidades socioemocionais: perspectiva tomada, empatia, apreciação da diversidade e respeito pelos outros.

3. Tomada de decisão responsável: capacidade de fazer escolhas construtivas sobre comportamento pessoal e interações sociais com base em padrões éticos, preocupações de segurança e normas sociais. É a avaliação realista das consequências de várias ações e uma consideração do bem-estar de si e dos outros.

A tomada de decisão responsável demanda as seguintes habilidades socioemocionais: identificação de problemas, análise de situações, resolução de problemas, avaliação, reflexão e responsabilidade ética.



Quarto passo


Envolve autoconsciência dos pais. Avaliar como as crianças reagem em diferentes ambientes e como elas se adaptam quando algo sai do padrão. Eu tinha um plano A, e ele falhou. Qual meu plano B?

Estamos falando da autorregulação: capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis ​​e gratificantes com diversos indivíduos e grupos. É a capacidade de se comunicar com clareza, ouvir bem, cooperar com os outros, resistir a pressões sociais inadequadas, negociar conflitos de forma construtiva e procurar e oferecer ajuda quando necessário.

A autogestão demanda as seguintes habilidades socioemocionais: comunicação, compromisso social, construção de relacionamento e trabalho em equipe.



Você deve estar se perguntando: “É impossível desenvolver todos esses indicadores a tempo do meu filho ir para escola!”


O intuito não é desenvolver 100% das competências, mas entender a realidade socioemocional da sua casa e se antecipar aos problemas.

Para crianças entre 9 e 12 anos, estas competências são essenciais. Elas deveriam estar bem estruturadas até os 8 anos.

Muitos problemas que seu filho está enfrentando podem ser facilmente resolvidos com uma intervenção da aprendizagem socioemocional (ASE).

No caso de adolescentes, minha recomendação é que pais e filhos busquem o desenvolvimento das competências e habilidades socioemocionais juntos.

Isto trará uma harmonia indescritível para sua casa!

O intuito dos primeiros quatro passos é:

1. Escolher uma escola que se encaixa melhor no perfil da criança.

2. Identificar os pontos fortes e fracos da aprendizagem socioemocional da casa – ambiente biopsicológico. Está cientificamente comprovado que todas as fraquezas e forças socioemocionais da família irão se manifestar na escola. É importante celebrar os altos da escola de seu filho, mas também estar ciente dos sinais de que seu filho pode estar tendo problemas.

3. Quando você descobre os problemas na escola cedo, seu filho tem uma chance muito maior de voltar aos trilhos. Imagine o poder de reação quando os pais não precisam da escola para identificar as fraquezas socioemocionais da criança! No primeiro sinal, os próprios pais sabem onde agir.

4. Com um perfil da criança em mãos e um desenvolvimento socioemocional bom, a escola se tornará, se tiver um bom programa de aprendizagem socioemocional implementado em todos os níveis, uma aliada na formação socioemocional.

Durante todo o dia, a escola, em sua programação normal e pós-escolar, deve reforçar a aprendizagem socioemocional ensinada pelos pais e, ainda oferecer oportunidades para as crianças e jovens vivenciarem na prática as habilidades e competências socioemocionais desenvolvidas.

Não esperem que as escolas desenvolvam essas habilidades e competências. O programa da escola deve estar alinhado com a educação socioemocional que os pais estão dando em casa.



Quinto passo


Entenda o cenário local, regional, do Brasil e global.

Você já procurou estudar a BNCC – Base Nacional Comum Curricular – que entrou em vigor em janeiro de 2020?

(saiba mais no artigo: Os desafios de implementar a BNCC no Brasil)

Você procurou conhecer o cenário da educação brasileira antes de pressionar seus filhos por resultados em testes?

Você tem noção do cenário dos empregos apresentados no Fórum Econômico Mundial de 2020?

Funil da educação no Brasil

De cada 100 alunos que estão no ensino médio, 22 irão ingressar em uma universidade.

Dos 22 que ingressaram, 64% irão desistir – 14 alunos – e 8 irão se graduar.

O mercado brasileiro só abre vagas de estágio para 50% dos alunos que se formam – 4 alunos.

Dos 4 que seguem na carreira, 50% não irão trabalhar na profissão em que se formaram.

Segundo pesquisa, o primeiro critério utilizado pelos pais, no Brasil, na hora de escolher a escola dos filhos é o desempenho dos alunos dessa instituição no ENEM e a aprovação no vestibular.

O difícil de entender é que os pais estão adoecendo os filhos e gastando o que não podem para que os filhos passem por este funil.

Entendo e conheço o fenômeno dos pais que buscam uma alternativa desesperada para que os filhos pelo menos mantenham o padrão de vida que receberam enquanto moravam com os pais.

Mas precisamos abrir um debate mais amplo: a que preço estamos fazendo nossos filhos cruzarem este funil?

Acredito que a educação em casa e uma boa formação acadêmica, que envolva competências e habilidades socioemocionais, seja o único caminho para um país mais justo e equitativo em oportunidades. Só questiono a forma e o preço que estamos fazendo nossos filhos pagarem por isso.

Fontes: INEP 2018 e ABRES – Associação Brasileira de Estágios.

O Fórum Econômico Mundial – de 2020, realizado entre os dias 21 e 24 de janeiro em Davos, Suíça, fez um balanço do relatório O Futuro dos Empregos, publicado no encontro de 2018.

Este relatório faz uma análise do mercado de trabalho mundial de empregos até 2022, mostra as tendências de cada setor, e aponta uma visão otimista:

1. Até 2022 irão se transformar 75 milhões de empregos. Isto significa desaparecer ou migrar para países onde a mão de obra é tão barata que não justifica investir em novas tecnologias.

2. No mesmo período, surgirão 133 milhões de empregos em áreas ligadas à nova realidade da 4ª Revolução Industrial.

O que era para ser uma excelente notícia virou um pesadelo mundial.

Foi apresentado um novo relatório, denominado A Revolução da Requalificação, apontando que será preciso requalificar 1 bilhão de pessoas até 2030.

As pessoas que estão empregadas, incluindo aquelas que entraram no mercado já no século XXI, não estão preparadas para ocupar essas vagas.

O alerta mexeu com a comunidade mundial. Os jovens estão chegando ao mercado da mesma forma que chegavam no século XX; os sistemas educacionais não conseguiram reagir a tempo.

Há um equívoco comum de que todos precisaremos desenvolver habilidades altamente tecnológicas ou científicas para ter sucesso.

No entanto, embora seja necessário que as pessoas trabalhem com a tecnologia, também estamos vendo uma necessidade crescente de desenvolver habilidades especializadas para como elas interagem.

Isso inclui criatividade, colaboração e dinâmica interpessoal, além de habilidades socioemocionais relacionadas a funções especializadas em vendas, recursos humanos, assistência e educação.

Fica um alerta aos pais: nossos filhos estão chegando ao mercado sem competências e habilidades socioemocionais para conseguirem se manter em um emprego.

Estimulá-los a desenvolver competências para a nova realidade é papel das escolas e universidades, mas habilidades socioemocionais nossos filhos aprendem em casa, e as escolas deverão reforçar e criar oportunidades para que eles coloquem em prática.

Nós não podemos mais terceirizar a educação e a formação socioemocional de nossos filhos para as escolas.

Precisamos escutar o que diz o relatório Revolução da Requalificação. Ele pede a união das famílias, escolas, universidades, empresas e governos, ou será impossível cumprir a meta estabelecida.

Temos que estar mais presentes nas escolas, entender as dificuldades enfrentadas por elas. Não é mais possível o discurso: “Eu estou pagando, e vocês resolvam meu problema”.

Se nossos filhos estão chegando ao mercado despreparados, a maior responsabilidade é dos pais e responsáveis, pelas seguintes razões:

1. Terceirizaram a educação para a escola. Quem educa são os pais ou responsáveis. A escola deve reforçar e formar nossos filhos.

2. Se o Fórum Econômico Mundial diz que as habilidades socioemocionais são tão importantes quanto dominar as novas tecnologias, por melhor que sejam as escolas e universidades, precisamos nos preparar, e nossos filhos, nessas habilidades. Elas são construídas em casa.

Nossos jovens estão adoecendo junto com os pais nesse cenário.

Somos 240 milhões de pessoas em depressão no mundo, mas especialistas acreditam que esse número passe de 300 milhões.

Principais informações:

• Uma em cada seis pessoas têm entre 10 e 19 anos.

• Em todo o mundo, a depressão é uma das principais causas de doença e incapacidade entre adolescentes.

• O suicídio é a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos.

• As consequências de não abordar as condições de saúde mental dos adolescentes se estendem à idade adulta, prejudicando a saúde física e mental e limitando futuras oportunidades.

A promoção da saúde mental e a prevenção de transtornos são fundamentais para ajudar adolescentes a prosperar.

A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças.

Mulheres são mais afetadas que homens.

Fonte: OMS – Organização Mundial de Saúde

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