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Aprendizagem Socioemocional (ASE) vai impactar 210 milhões de empregos

Atualizado: Mar 24


Yale University - O primeiro programa de aprendizagem socioemocional


A Universidade Yale desenvolveu o primeiro programa de aprendizagem socioemocional - ASE -em 1992.

No verão de 1987, Peter Salovey e John Mayer, pesquisadores e professores da Universidade Yale – Estados Unidos - se uniram em torno da ideia de uma inteligência emocional, tendo como referência a teoria das MI – Múltiplas Inteligências -.

Em suma era a fusão das inteligências intrapessoal e interpessoal.


Salovey estudou emoções e comportamento, e Mayer estudou a ligação entre emoções e pensamento, e são considerados os criadores do conceito “Inteligência Emocional”.

Cada um fazendo uso de seus conhecimentos, articularam uma teoria que descreveu um novo tipo de inteligência, definida como: a capacidade de reconhecer, entender, utilizar e regular emoções efetivamente na vida cotidiana.

Em um artigo crucial, publicado em 1990, eles descreveram essa ideia revolucionária e a chamaram de "inteligência emocional".

O conceito só ganhou notoriedade em 1995, quando Daniel Goleman publicou seu best-seller o qual recebeu o mesmo nome do conceito "Inteligência Emocional".


Atualmente Salovey é o presidente da Universidade de Yale, onde criou e mantém um laboratório de inteligência emocional.

Considerando as novas descobertas e inovações, Yale se tornou uma referência mundial no tema.

Com o advento da 4ª Revolução Industrial - a nova era que estamos vivendo - o conceito evoluiu e desde 2014.

O WEF – Fórum Econômico Mundial - situa a inteligência emocional na relação das dez competências que a pessoa deverá desenvolver para sobreviver ao mercado no século XXI.


Veja o artigo com as 10 competências publicadas pelo WEF – 2020.

Nos últimos 25 anos, o conceito de inteligência emocional evoluiu consideravelmente e se tornou mais complexo considerando o volume de habilidades e competências reveladas nas duas últimas décadas.

Hoje, existem centenas de programas de aprendizagem socioemocional - ASE -, implementados em milhares de escolas espalhadas pelo mundo.

Conheça o programa ASE do método MIDE – Múltiplas Inteligências & Desenvolvimento Emocional.



O que é aprendizagem socioemocional (ASE)


Aprendizagem socioemocional (ASE) é o processo pelo qual crianças e adultos entendem e gerenciam emoções, estabelecem e alcançam objetivos positivos; sentem e mostram empatia pelos outros, estabelecem e mantêm relacionamentos positivos e tomam decisões responsáveis.


ASE tem sido frequentemente usado como um termo genérico para representar uma ampla gama de habilidades não acadêmicas de que os indivíduos precisam para estabelecer metas, gerenciar comportamentos, construir relacionamentos e processar e lembrar informações.


Essas habilidades e competências se desenvolvem ao longo de nossas vidas e são essenciais para o sucesso na escola, no trabalho, no lar e na comunidade.

De um modo geral, esse conjunto de habilidades pode ser organizado em três áreas inter-relacionadas: cognitiva, social e emocional.


É importante ressaltar que essas habilidades e competências se desenvolvem e estão em interação dinâmica com atitudes, crenças e mentalidades, além de caráter e valores, os quais estão fundamentalmente ligados às características dos ambientes.


Existem três ambientes em que a aprendizagem socioemocional se desenvolve ao logo de nossas vidas: ambiente socioambiental, ambiente biopsicológico e ambiente cognitivo.


O ambiente socioambiental é o local onde nascemos e somos criados e a cultura que absorvemos desses locais.


O ambiente biopsicológico representa a família e é responsável pela formação socioemocional de um indivíduo. Quem transfere toda a modelagem para o emocional da criança são os pais ou responsáveis.


O ambiente cognitivo representa as escolas, cursos, universidade que frequentamos, os empregos que tivemos e experiências vividas em nossas rotinas diárias.



A dinâmica da aprendizagem socioemocional (ASE)


Ao longo de sua história, o campo da aprendizagem socioemocional (ASE) foi definida ou caracterizada de várias maneiras.


Em alguns aspectos, o termo ASE serve como um guarda-chuva para muitos subcampos com os quais muitos educadores, pesquisadores e formuladores de políticas estão familiarizados (por exemplo, prevenção de bullying, educação e desenvolvimento cívico e de caráter, resolução de conflitos, treinamento de habilidades sociais, habilidades para a vida, Habilidades “suaves” ou “não cognitivas”, habilidades do século XXI).


O conceito de aprendizagem socioemocional espalhou se pelas escolas do mundo todo a partir de 1992, quando a Universidade Yale criou seu primeiro programa.


O primeiro programa foi criado para escolas de ensino fundamental e médio em regiões de vulnerabilidade social. Bairros dominados pela violência onde o tráfico de drogas era a referência de sucesso.


No meio empresarial o termo foi introduzido em 2014, quando o WEF - Fórum Econômico Mundial – publicou um relatório demonstrando que os profissionais que atuavam no mercado e os jovens que estavam chegando ao mercado não estavam munidos de habilidades socioemocionais para sustentarem ou conseguirem ingressar no mercado.

O fato é que poucos países deram atenção ao relatório.


Em 2018 o WEF publicou outro relatório, denominado de “O Futuro dos Empregos”, em que fez uma análise do cenário do mercado de trabalho de 2018 a 2022.


Novamente reforçaram a necessidade das empresas, profissionais, universidades e governos deveriam observar que a falta das dez competências necessárias para lidar com a complexidade da 4ª Revolução Industrial, principalmente as novas tecnologias e as dez habilidades socioemocionais devem gerar até 2022 a transformação de 75 milhões de empregos.


Transformação significa serem eliminados pela IA – inteligência artificial -, sofrerem uma migração geográfica – ser transferido para um país com mão de obra quase escrava – ou sofrer terceirização por parte das empresas.


O relatório trouxe uma visão muito otimista. Paralelamente ele previa o surgimento de 135 milhões de empregos gerados pelas novas tecnologias.



Os impactos da aprendizagem socioemocional (ASE)


Mais de duas décadas de pesquisa demonstram que a educação que promove a aprendizagem socioemocional (ASE) obtém resultados.


As descobertas vêm de vários campos e fontes, incluindo desempenho dos alunos, neurociência, saúde, emprego, psicologia, gerenciamento de sala de aula, teoria da aprendizagem, economia e prevenção de comportamentos problemáticos dos jovens.


11: 1 Retorno do Investimento

Um estudo realizado pela Columbia University, em seis programas de aprendizagem socioemocional (ASE), baseados em evidências, comprovou que o retorno médio do investimento é de 11 para 1, ou seja, para cada dólar investido há um retorno de US $ 11,00.


Leva a resultados acadêmicos e comportamentos aprimorados


As intervenções da aprendizagem socioemocional (ASE) que abordam suas cinco competências aumentaram o desempenho acadêmico dos alunos em 11 pontos percentuais, em comparação com os estudantes que não participaram desses programas.


Os alunos que participam dos programas de aprendizagem socioemocional (ASE) apresentaram um comportamento melhorado na sala de aula, uma maior capacidade de gerenciar o estresse, depressão e melhores atitudes em relação a si mesmos, aos outros e à escola.


O impacto é de longo prazo e global


Em 2017, foi realizada uma metanálise - técnica estatística adequada para combinar resultados provenientes de diferentes estudos - de 82 estudos envolvendo aprendizagem socioemocional (ASE), incluindo 100.000 estudantes em todo mundo que participaram de programas ASE desde 1992.


O estudo mostrou um impacto positivo até 18 anos depois, nos estudos, problemas de conduta, angústia emocional e uso de drogas.


Melhora os resultados da vida


Há associações estatisticamente significativas entre as habilidades da aprendizagem socioemocional (ASE) no jardim de infância e os principais resultados para adultos jovens anos depois.


A ASE diminuiu a probabilidade de morar ou estar em uma lista de espera de moradias públicas, receber assistência pública, ter qualquer envolvimento com a polícia antes da idade adulta e passar algum tempo em um centro de detenção.


Pode ajudar a reduzir a pobreza e melhorar a mobilidade econômica


As competências da aprendizagem socioemocional (ASE) são extremamente importantes para o sucesso a longo prazo de todos os estudantes na economia atual.



As cinco competências da aprendizagem socioemocional (ASE)


Autoconsciência: capacidade de reconhecer com precisão as próprias emoções, pensamentos e valores e como eles influenciam o comportamento. A capacidade de uma pessoa de avaliar com precisão, seus pontos fortes e suas limitações com um senso bem fundamentado, de confiança, otimismo e uma "mentalidade de crescimento".


  1. Identificando emoções

  2. Auto percepção precisa

  3. Reconhecendo forças

  4. Autoconfiança

  5. Auto eficácia


Autogestão: capacidade de uma pessoa de regular com sucesso suas emoções, pensamentos e comportamentos em diferentes situações - gerenciando efetivamente o estresse, controlando impulsos e motivando-se. A capacidade de definir e trabalhar em direção a objetivos pessoais e acadêmicos.


  1. Controle de impulso

  2. Gerenciamento de estresse

  3. Autodisciplina

  4. Automotivação

  5. Estabelecimento de metas

  6. Habilidades organizacionais


Consciência social: capacidade de assumir a perspectiva e ter empatia com os outros, incluindo aqueles de diversas origens e culturas. A capacidade de entender as normas sociais e éticas do comportamento e de reconhecer os recursos e apoios da família, escola e comunidade.


  1. Perspectiva tomada

  2. Empatia

  3. Apreciando a diversidade

  4. Respeito pelos outros


Habilidades de relacionamento: capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis ​​e gratificantes com diversos indivíduos e grupos. A capacidade de se comunicar com clareza, ouvir bem, cooperar com os outros, resistir à pressão social inadequada, negociar conflitos de forma construtiva e procurar e oferecer ajuda quando necessário.


  1. Comunicação

  2. Compromisso social

  3. Construção de relacionamento

  4. Trabalho em equipe


Tomada de decisão responsável: capacidade de fazer escolhas construtivas sobre comportamento pessoal e interações sociais com base em padrões éticos, preocupações de segurança e normas sociais. A avaliação realista das consequências de várias ações e a consideração do bem-estar de si e dos outros.


  1. Identificando problemas

  2. Analisando situações

  3. Resolvendo problemas

  4. Avaliando

  5. Reflexão

  6. Responsabilidade ética



Os seis domínios da aprendizagem socioemocional (ASE)


Antes de escolher um programa de aprendizagem socioemocional (ASE), pais, profissionais, empresas e escolas, inicialmente devem estabelecer quais domínios necessitam ser desenvolvidos.


Nos domínios, os programas se diferenciam, são eles:


1. Domínio Cognitivo: inclui as habilidades cognitivas básicas necessárias para direcionar o comportamento em direção ao alcance de um objetivo.


2. Domínio Emocional: inclui habilidades que contribuem para reconhecer, expressar e controlar as emoções; bem como entender e simpatizar com os outros.


3. Domínio Social: inclui habilidades que favorecem, com precisão, a interpretar o comportamento das pessoas, a navegar efetivamente por situações sociais e a interagir positivamente com outras pessoas.


4. Domínio Valores: incluem as habilidades, características, virtudes e hábitos de caráter que o ajudam a ser membro pró-social e produtivo de uma comunidade específica.


5. Domínio Perspectivas: é como se vê e se aproxima do mundo, o afeto e o modo como se aceita os outros e suas próprias circunstâncias. Também, influencia o modo como interpretar e abordar os desafios na vida diária.


6. Domínio Identidade: abrange como se entende e percebe a si mesmo e suas habilidades. Revelando o conhecimento e crenças sobre si mesmo e sua capacidade de aprender e crescer.


Saiba mais no artigo Habilidades e domínios socioemocionaisem nosso Blog!



Precisamos de uma “Revolução na Requalificação”


Poucos países, principalmente, os pertencentes ao G20 – grupo das 20 maiores economias -, deram atenção ao relatório “O Futuro dos Empregos” publicado em 2018, com exceções da Dinamarca e outros pequenos países.


No WEF – Fórum Econômico Mundial – de 2020, realizado entre 21 e 24 de janeiro em Davos – Suíça -, Peter Hummelgaard, Ministro do Trabalho da Dinamarca, apresentou a experiência em requalificar os profissionais que estavam no mercado e simultaneamente mudar a base curricular dando mais ênfase às habilidades socioemocionais.


O sistema educacional da Dinamarca só precisou de alguns ajustes, eles vinham trabalhando com aprendizagem socioemocional desde 2001 e foi um processo quase imperceptível.


Os maiores desafios enfrentados foram no processo de requalificar os profissionais que estavam no mercado. Na Dinamarca, 35% deles não acreditavam que a tecnologia iria afetar suas carreiras.


O segundo grande desafio, é o custo da requalificação. Segundo estudos do WEF só 25% das empresas geram lucro suficiente para investir em requalificação.


Na Dinamarca a revolução na requalificação deu certo porque o governo criou políticas de incentivos para empresas e pessoas físicas.


Ele apresentou um relatório denominado “A Revolução na Requalificação” e fez um chamado ao G20 sobre o impacto global se a inação permanecer a mesma.


Por que precisamos de uma “Revolução na requalificação”?


Segundo o relatório, dez razões para o G20 promover uma revolução na requalificação:


1. À medida que os empregos são transformados pelas tecnologias da Quarta Revolução Industrial, precisamos capacitar mais de 1 bilhão de pessoas até 2030.


2. Nos próximos dois anos - até 2022 - espera-se que 42% das habilidades básicas necessárias para a execução de tarefas existentes sejam alteradas.


3. Além das habilidades de alta tecnologia, as habilidades interpessoais especializadas estarão em alta demanda, incluindo habilidades relacionadas a vendas, recursos humanos, assistência e educação.


4. Precisamos de fortes parcerias público-privadas para restaurar o contrato social e preparar os trabalhadores para o futuro.


5. As pessoas não podem ser deixadas para trás. Precisamos oferecer oportunidade as 75 milhões de pessoas que perderão seus empregos para IA – inteligência artificial – seguirem suas carreiras em uma nova área.


6. Os profissionais do mercado, incluindo os jovens formados nas últimas duas décadas, não estão aptos para ocupar as 135 milhões de vagas que surgirão até 2022. Para obter proativamente os benefícios dessas mudanças, pelo menos 54% de todos os funcionários precisarão de novos conhecimentos e aprimoramentos até 2022.


7. Se isto não acontecer, deixarão de ser produzidos U$452 bilhões em produtos até 2025.


8. Existe um custo claro para a inação. Nos países do G20, o não cumprimento da demanda de habilidades da nova era tecnológica pode colocar em risco US $ 11,5 trilhões em crescimento potencial do PIB na próxima década, segundo estimativas da Accenture . O custo humano é infinitamente pior.


9. O mundo está correndo o risco de gerar 75 milhões de desempregados e ainda comprometer 135 milhões de novas vagas, o que irá gerar um déficit de 210 milhões de empregos.


10. Há um equívoco comum de que todos precisaremos desenvolver habilidades altamente tecnológicas ou científicas para ter sucesso. Também estamos vendo uma necessidade crescente de desenvolver habilidades socioemocionais.


Qual o foco da proposta “Revolução na Requalificação”


Um novo estudo concluiu que muitos crescimentos de empregos virá de sete áreas profissionais: assistência, engenharia e computação em nuvem, marketing de vendas e conteúdo, dados e IA, empregos verdes, pessoas e cultura e gerentes de projetos especializados.


No entanto, embora seja necessário que as pessoas trabalhem com a tecnologia, também há necessidade, crescente, de desenvolver habilidades especializadas para, como elas, interagem.


Isso inclui criatividade, colaboração e dinâmica interpessoal, além de habilidades à funções especializadas em vendas, recursos humanos, assistência e educação.


Muitos desses empregos, de rápido crescimento, estão atualmente com falta de fornecimento.


Isso oferece uma oportunidade para a maioria das pessoas em funções de maior risco. No entanto, com 70% desses trabalhadores precisando encontrar novas oportunidades fora do setor atual, essas transições também exigem melhores redes de segurança e compromissos mais fortes do setor privado.

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